Isto aqui não é um soneto
(estamos num sítio arqueológico).
Ruína de uma forma poética
surgida na Renascença.
Forma esvaziada, de cuja estrutura
temos uma longínqua idéia.
Isto aqui não é um soneto,
nem sua réplica.
Uma carcaça carcomida
que um guia turístico informa
pertencer a um antigo soneto,
escrito por Petrarca, Shakespeare ou Luís de Camões.
Exposto a visitações públicas num blog,
essa forma espúria é retrato dos tempos.
quinta-feira, 9 de julho de 2009
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14 comentários:
Afirmação pela negação.
Ou não.
Entrei no blog Godard City ansioso pra reler novamente o texto sobre o Slavoj Zizek que é um escritor que até então não conhecia mas que me despertou a atenção. Eis então ao visitar esse blog me deparo com um soneto que me causou certo espanto. Parece que o Skylab busca insensantemente a idéia de fulga e perversão em seus textos (exceto os teóricos). Noto um vazio tremendo nesse poema, ao tentar inclusive dizer que esse soneto de fato não é um soneto. Parece que todo escritor contemporâneo está atrelado nesse conceitual. Se esconder atrás de máscaras sei lá para quê (não sou crítico literário para definir formas e mensagens). Essa idéia de máscaras Nietzsche já havia dissertado bem essa visão, isso abrangendo a todo e qualquer ser humano, não apenas escritores.
"O poema nasce dos espanto e o espanto do incompreensivel" nos diz Ferreira Gullar. Concordo plenamente. O soneto pra mim se não me causar espanto ou choque não me interessa. E o seu me causou espanto. Não sei porque, mas me causou...
Muito bem feito. Deve ter sido trabalhoso, talvez.
Criatividade mil.
Desculpe postar aqui mas e os posts do Flu?
nem é soneto, nem é john cage, fi!
ihhuuulll!!!
Esse deve ter dado trabalho, mesmo.
Ficou bom muito bom...INteresante tbm =)
a realidade é mesmo o pior e o melhor retrato
Isto aqui não é um comentário.
Porcaria disfarçada de texto , lamento o fato de palavras se juntarem para tal "propósito" um tremendo disperdicio, lixo cibernetico, convido os caros leitores dessa porcaria despejada pelo amigo Rogerio a darem uma olhada na "revista de mulher pelada" em que figura a Andressa Soares que ostenta o título de "mulher melancia" e deixarem seus mais sinceros pensamentos ocorridos na hora postados aqui nesses comentarios , certamente teremos mais a filosofar e refletir do que o texto posto .
a forma sem conteúdo, é apenas aparência, supérficie que diz apenas aquilo que é evidente. um determinado soneto deslocado do seu espaço-tempo, dentro de uma insensível caixa de vidro, exposto a efêmeros turistas, não diz nada. só impressiona pela idade antiga (do soneto), ou pela a imagem intencionalmente surreal do autor (do soneto), criada pelo guia. seria melhor que tudo fosse queimado... mas aí é que tá: "essa forma espúria é retrato dos tempos."
Grande Rogério, sempre provocando. Excelente.
Sou seu fã, meu velho.
Espero que um dia venha em Belém do Pará, esse grotão onde moro.
Abraços.
Engraçado, os covardes anônimos sumiram desse blog...
Olha que camões te invejaria (ou não)
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