sábado, 26 de setembro de 2009

MYSPACE OFICIAL

Eu custei a aderir ao myspace. O que rola na rede, de myspace do SKYLAB, não é feito por mim. Mas agora resolvi abrir meu myspace pra ter oportunidade de mostrar restos de gravação, músicas nunca gravadas, além é claro de coisas em primeira mão. O disco "Rogerio Skylab & Orquestra Zé Felipe", um projeto paralelo, já está lá disponível pra ser baixado. Outra novidade é o registro de minha passagem pelo programa Ronca Ronca, na OI FM, cantando uma música que só entrará no SKYLAB X, o último da série. Enfim, marquem presença !!!!!!
O endereço: www.myspace.com/skylab9

DOIS EXEMPLOS DE LITERATURA



primeira foto: Milton Hatoum
segunda foto: Cristóvão Tezza



Duas linhas de força se entrecruzam na literatura contemporânea brasileira, após a explosão do experimentalismo em meados do século passado. É nessa situação que os escritores brasileiros hoje se encontram: retomando a linguagem, após as tempestades. Alguns tomam rumo num fundo antropológico – é a linha culturalista. Entre esses, um marco é “Relato De Um Certo Oriente”, de Milton Hatoum, 1989.

O romance, ou relato, é visto como um substituto; a memória ou a cópia estarão distantes do modelo original, e isso, ao menos, é uma rara certeza. É dessa distância que Hatoum vai falar, seja abordando o tema do agregado (família de criação), seja abordando a nova terra e a nova cultura em que os libaneses vão se estabelecer. Não é mais o oriente mas um certo oriente, já mesclado aos novos costumes. Toma-se, portanto, uma distância da origem.

“Como transcrever a fala engrolada de uns e o sotaque de outros? Tantas confidências de várias pessoas em tão poucos dias, ressoavam como um coral de vozes dispersas. Restava então recorrer a minha própria voz, que planaria como um pássaro gigantesco e frágil sobre as outras vozes. Assim, os depoimentos gravados, os incidentes e tudo o que era audível e visível passou a ser norteado por uma única voz que se debatia entre a hesitação e os murmúrios do passado”, pág. 165.

Hatoum opta por uma única voz e sabe que são apenas notas esparsas e vozes sincopadas que moldam e modulam a melodia perdida. Por outro lado, a personagem feminina e também narradora, fala pouco de sua mãe original e não inventa nada sobre ela nem produz imagem alguma dela. É o tabu que não consegue se transformar em totem. É o seu desconhecido incrustrado no outro lado do espelho.

Existe uma sombra que acompanha a estória, presente mas desconhecida. Daí porque a melodia recomposta estará sempre em falta.

A segunda linha que perpassa a nossa literatura contemporânea é de fundo psicanalítico, remete-se ao "Ulysses" de James Joyce e ao fluxo de consciência. Está longe do barroquismo do irlandês porque hoje a literatura é taboa rasa, mas sabe-se ao menos de sua história e seus percalços.

“O Fotógrafo” de Cristóvão Tezza, de 2004, é um bom exemplo. Aqui, segundo um de seus personagens, o professor Duarte, “a representação da consciência é o maior mistério da linguagem literária porque a representação deve ser reconhecível e nós pensamos em cacos; a representação mimética é ilegível e afinal a idéia da pura mimese é uma fraude; e para saber o que pensamos é preciso reorganizar o evento, segundo um novo e indispensável olhar subjetivo – nós temos de escolher esse olhar” pág 176.

Por esse prisma, existe a unanimidade de que a representação é reorganização.

A questão, no entanto, que o Fotógrafo levanta é a do incesto e seu recalcamento. A fraude que vai encobertá-lo. É nesse sentido que Íris assume uma grande importância porque se contrapõe ao universo da revelação de que faz parte o fotógrafo. Ao invés de revelar, fraudar. Por outro lado, a fotografia congela, tem a ver com o espaço e a superposição das partes. Daí as duplas: Lígia e o professor Duarte; professor Duarte e Mara; o fotógrafo e Lígia; o fotógrafo e Íris.

Ainda que o narrador esteja na terceira pessoa, ele assume os pontos-de-vistas, ora de um ora de outro. E esse, ao meu ver, é o avanço que o livro assume em relação ao anterior. Não é uma voz pairando sobre as demais. É uma voz que ora está no presente indicando movimento, ora está no pensamento; ora está dentro de um personagem refletindo, ora está em outro. Essa simultaneidade que a fotografia congela indica uma complexidade que dá instabilidade à foto. Basta lembrarmo-nos da última cena: o fotógrafo se dirige ao ponto de táxi e o traficante atravessa a rua em sua direção. O desencadeamento da cena fica em suspense.

Em “Relato de um Certo Oriente” tem-se a noção do todo. Ainda que a melodia tivesse sido seqüestrada, temos a modulação dela, notas esparsas dela. Ainda assim, estamos lidando com a noção do todo. A melodia ou mesmo uma voz pairando sobre as demais, integraliza tudo.

Em “O Fotógrafo” isso não ocorre. Nós temos apenas um segmento do todo, um dia apenas, de cujo desenlace não fazemos a mínima idéia. Lula vencerá? O fotógrafo vai mesmo se submeter ao plano de Íris? Nada nos garante nada. A idéia do tempo presente é esse ponto de interrogação que uma foto tão bem expressa, mas é também essa suspensão que pode revelar a identidade (o fotógrafo é o mensageiro da identidade): “Aqui está ela finalmente. Sim a luz vem da confissão. Se eu confessar, serei perdoado: tem alguma coisa etérea nesta fotografia, ele pensou, investigando-a detalhadamente com a lupa. Aqui ela está olhando diretamente para os meus olhos e não há resistência alguma. Não é nem um olhar de entrega, porque isso implicaria algum movimento, a passagem da recusa para a entrega, o que supõe uma tensão. Agora não: ela simplesmente olha pra mim e está feliz. A entrega das fotos a ela. Era como a remissão da chave da infância”, pág 156 e 157.

Esse personagem, ao mesmo tempo que revela uma suspensão do movimento, a revelação da verdade, sustentando assim a moralidade do fotógrafo, indica no seu final a idéia de remissão de um fato original. Ou seja, uma fraude, uma mudança voluntária do modelo. Cumpre-se uma dívida, ou liberta-se dela, não a repetindo mais. Essa mesma fraude que Íris vai efetuar, traindo o pai.

Portanto, por mais ambíguo e instável que seja o modelo que o romance vai apresentar, com a simultaneidade das partes numa foto congelada, o paradigma é sempre a fraude e a traição.

São, portanto, duas linhas que se entrecruzam na literatura brasileira contemporânea: uma, que persegue a verdade e se contenta em dar ao menos um esboço dela; e a outra cuja estrutura é a traição e a fraude.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

UM TRECHO DO DVD

DISCURSO DE AGRADECIMENTO

Estou muito emocionado com o prêmio.
Não só pelo valor financeiro (agora finalmente vou realizar meu sonho).
Mas o prêmio dá reconhecimento a quem, como eu, sempre viveu nas sombras.
Pena que foi tarde.
Mas antes tarde do que nunca.
Agora posso morrer feliz.
Não esperava nada. Estou neste exato momento lançando o SKYLAB IX, o penúltimo da série. Como poderia imaginar que lembrariam de mim a essa altura dos acontecimentos?

Esse é um momento especial.
Além do prêmio, estou lançando meu primeiro DVD – o SKYLAB IX, que também sai em cd. O DVD está mais completo: são 30 músicas. O CD são só 16 músicas. Minha mulher reclamou: “quem vai ouvir um DVD tão grande?” . São quase 2 horas e meia de duração. Mas a questão é que se fosse menor, mais músicas ficariam de fora. E esse é o problema: se nesta versão longa, tantas músicas legais ficaram de fora, quanto mais numa versão menor. Tem três convidados de peso: Maurício Pereira, Marcelo Birck e Lois Lancaster.
Acabou de chegar da fábrica e só vou pôr no mercado a partir de 04/10, que é quando faço o primeiro show de lançamento. Vai ser em São Paulo, no Centro Cultural São Paulo. Sei que o destino desse dvd vai ser a rede. DVD independente, assim como cd independente, nunca deveriam ir pra rede. Vocês não imaginam o sacrifício, o investimento, não tendo ninguém pra dar cobertura. Mas não reclamo. Toda a minha discografia foi assim: sem selo, sem empresário, sem produtor.

Concomitante ao dvd, estréio uma nova parceria: Rogério Skylab & Orquestra Zéfelipe. É um projeto paralelo. Quem quiser baixar, é de graça: http://sharebee.com/37e0cf1f
Tem gente que odiou o disco. Eu adorei. São dez músicas minhas, nas quais o Zé Felipe, que é baixista do Zumbi do Mato, aplicou toda sua demência. Algumas eu detestei e tirei fora. Mas de um modo geral, aprovei. Esse disco é produto do afeto que tenho pela banda Zumbi do Mato. Eu não poderia morrer sem isso.

Finalmente, tenho que falar das SKYGIRLS, meu outro projeto e que estou lançando agora também. Na verdade, as Skygirls são Elisa Schinner e Leandra Lambert, já que o restante da banda é originário dos skylabs (Thiago Martins e Bruno Coelho). Estreamos com dois shows no meio do ano, no Cinemathéque, aqui no Rio. E em seguida, entramos em estúdio, na Cia dos Tecnicos. O disco só agora ficou pronto, tem 16 faixas de longa duração (tanto que, fisicamente, é álbum duplo) e me deu muita alegria ouvi-lo. Tem uma pegada própria, é diferente dos Skylabs, tem Serge Gainsbourg (Oh Melody), tem a Voz del Fuego (pseudônimo da Leandra), pouca letra e muito som.
Vai sair pelo selo Psicotropicodelia. Quem quiser dar uma sacada no selo: http://psicotropicodelia.blogspot.com/
Em breve, o disco estará disponível pra ser baixado de graça na rede. Aliás, tanto o Orquestra quanto as SKYGIRLS foram concebidos pra serem colocados de graça na rede.

No show do dia 4/10 vou apresentar um repertório mesclado: DVD+ORQUESTRA+SKYGIRLS

E agora essa premiação que me pegou tão desprevenido.

A quem agradecer?
Carlos Mancuso pelas capas dos Skylabs; Solange Venturi pelas fotos; Amílcar Oliveira pelo clipe e pelo DVD maravilhoso; Flavio Lazarino, por tanta utopia; Vânius Marques, pelo profissionalismo; Leandra e Eliza por terem acreditado e serem tão talentosas; Maurício Pereira, Marcelo Birck, Lois Lancaster e Zé Felipe por serem meus ídolos e amigos; e finalmente, eles, esses músicos espetaculares: Bigu, Thiago, Bruno e Pedro. Também o Alex, o Julinho. Enfim, o Prêmio é pra todos vocês.

Vamos celebrar !!!!!!!!

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

PAUL AUSTER

Entrou na papelaria
e procurou um caderno vermelho
- que não fosse espiral.
Era louco por cadernos.

Só escrevia à mão.
Os teclados serviam apenas para passar a limpo.
Caderno novo: vida nova.
Ao menos isso pra lhe dar ânimo.

Era detetive
e me seguia os passos.
Mas não descobria nada.

Seus cadernos eram cheios de fracassos,
rasuras, pistas falsas.

skylab/2009

sábado, 12 de setembro de 2009

SERAFIM PONTE GRANDE



Em 1944, Antônio Cândido, o primeiro crítico brasileira a valorizar Oswald de Andrade, definiu Serafim Ponte Grande como “um fragmento de grande livro”, e, assim como Mário de Andrade, valoriza mais “Memórias Sentimentais de João Miramar”. Naquela época, sob o influxo da antropologia inglesa, que considera a estrutura como uma forma orgânica (interelação dinâmica de seus elementos, exprimindo-se pela consciência), Antônio Cândido vai criticar Serafim justo pelo seu fragmentarismo: “comodismo estético da técnica empregada que não permite aprofundar os problemas de composição” – assim ele vai dizer em “Brigada Ligeira”.

Em 1968, num artigo publicado no Jornal Estado de São Paulo, Haroldo de Campos, ao privilegiar Serafim em relação a João Miramar, o define como “grande não livro de fragmentos de livro”, fazendo uma referência crítica a Antônio Cândido. A questão passava a ser não o aprofundamento dos problemas de composição, como requeria Cândido, mas, ao contrário, deixando-a descoberto, manifesta. Ao invés do todo orgânico, seus fragmentos. Do quanto formas literárias complexas não representariam o desenvolvimento de unidades mais simples? E justamente Serafim nutre-se de cartas, diários, livros de viagem, memória, ensaios.
A estrutura, sob essa perspectiva, perde o caráter orgânico e se vê subtraída ao jogo e à ordem do signo. Não há mais nenhum centro que sustente algum tipo de coerência do texto. Essa é a idéia do livro “não livro”, segundo Haroldo de Campos, e que vai permear, segundo sua ótica, o diálogo de textos em Serafim. Ao romance de tipo monológico, surge o polifônico (de estrutura carnavalesca), popularesco e dessacralizador.

Em 1972, Kenneth Jackson, um brasilianista, em sua tese de doutorado “Prosa Vanguardista em O. Andrade”, vai empreender uma análise de Serafim segundo um esquema organizacional. Nesse aspecto, os avanços empreendidos pela análise de Haroldo de Campos, no que tange aos privilégios da função, são retroagidos. Keneth vai trabalhar com uma estrutura triádica, seja ao se defrontar com Serafim, seja ao analisar os textos de Oswald, mais especificamente, Poesia Pau-Brasil e João Miramar.
Segundo sua ótica, existe um movimento dialético que perpassa Serafim sob três aspectos: a vida cronológica, a viagem e a ideologia. Essa estrutura triádica é rígida. Na vida cronológica: amadurecimento, viagens e fim. Na viagem: blackground brasileiro, viagens e retorno. Na ideologia: alienação, fantasia e utopia.
Em relação aos capítulos: do 1 ao 27 (infância) e do 28 ao 55 (aventuras) o estilo é o poético – a impressão direta, colagem de imagens e significados; do 56 ao 163, a consciência crítica – não conformismo, análise e citações (crítica, sátira e paródias do mundo formal e dos personagens); o restante dos capítulos é revolta e fuga – ações satíricas.

O esquema organizacional difere do esquema funcional de Haroldo de Campos porque neste não existe simetria: se no primeiro momento há transgressão, fuga e punição, já no segundo momento, apenas transgressão e fuga. O que rege em Haroldo é a diferença e a assimetria – o que poderíamos reconhecer como ausência de estrutura. Há um processo de repetição mas não é repetição do mesmo.
Em Keneth, privilegia-se a idéia de transcurso, desenvolvimento. É interessante a referência que ele faz ao texto de Haroldo: “Mais do que uma transgressão da ordem, a volta de Serafim ao Brasil é a conclusão necessária ao ataque preparado com canhão em NOTICIÁRIO, antes de seu vôo-fantasia nos sobresintagmas que vão do IV a VIII."

Quando me refiro ao texto de Kenneth como um retrocesso em relação à análise de Haroldo de Campos, quero me ater aos avanços de Proust e Joyce. Foi a partir deles que se problematizou o par “realidade/sujeito”. À obra caberia a destruição do continuum temporal empírico. A literatura burguesa de Balzac era posta em questão justo por esse prisma: uma outra idéia de tempo, ligada à fábula e à eternidade.

Em 2001, Pascoal Farinaccio, escreve “Serafim Ponta Grande e as dificuldades da Crítica Literária”. E retoma a velha questão “realidade/sujeito”, mas dessa vez, à meio caminho.
O rearranjo do referente faz com que a obra adquira uma autonomia, mas não um desligamento efetivo do real. E essa perspectiva talvez explique o quanto a literatura contemporânea tem de diferencial em relação aos textos experimentais do século passado. Não abolimos o conteúdo prévio, o decompomos e o transformamos ficcionalmente, recompondo os elementos selecionados conforme um sentido de estruturação inovador. Farinaccio recorre à Luis Costa Lima no conceito de “mimeses da produção” – alarga-se o real desde que o produto mimético encontre um receptor disposto a colocá-lo pra funcionar pelo gesto da participação ativa.
Aqui a grande referência é Wolfgang Iser e seu clássico “O Fictício e o Imaginário”. O sentido do texto não é arbitrário, como o pensávamos na ausência da estrutura. Existe um mínimo que será completado pelo leitor. Daí que o sentido não está no texto mas em nós em relação ao texto. Há uma relação transitiva entre leitor e texto que nos impede pensar em arbitrariedade.
Um exemplo que o texto de Farinaccio nos dá, interpretando Serafim, ilustra bem esse procedimento. O movimento perene de El Durasno é a solução de Oswald a um impasse: o potencial revolucionário do povo (Ponta de Lança) e a descrença na capacidade desse povo de se mobilizar – a liberdade de idéias correspondendo à evolução moral do mundo (Um Homem Sem Profissão). Conforme Farinaccio, “mal digerido esse impasse até porque a literatura oswaldiana tende à paticipação sócio-política, o impasse sofre então o ataque oswaldiano sob a forma de movimento permanente”. Aqui, o movimento permanente se tem relações com um conceito de tempo não cronológico, próprio às fábulas, é também uma resposta ao real.

Esse a meio caminho nos dá bem uma idéia do que hoje vem sendo a produção de textos. Nem tanto ao mar, nem tanto à terra: guarda muito as lições de Proust e Kafka, resguardando-se das ilusões de um naturalismo que encobria o caos de seu substrato. Mas traz também a idéia de rearranjo, e isso é suficiente para denunciar as relações com o referente.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

A ERVA DO RATO


“Erva do Rato” é uma planta venenosa cujo antídoto é a própria raiz. O veneno combatendo o veneno. Isso lembra José Miguel Wisnik e Caetano Veloso. Lembra também Júlio Bressane, autor de mais uma obra prima do cinema nacional. Se não fosse Bressane, o cinema brasileiro seria mais chato do que já é.

O filme é de raros diálogos. A cenografia, esplendorosa: nos remete à Jan Saudek, mais que à Machado, de cujos contos, “A Causa Secreta” e “O Esqueleto”, o filme se inspira. Selton Mello é um fotógrafo; Alessandra Negrini, sua modelo.

O homenageado é Walter Carvalho: as fotos do filme são de sua autoria e Selton o representa. Porém, o mais importante é o processo que leva às fotos: a concepção, a encenação, a revelação e a montagem. As fotos tiradas por Selton não são tão importantes quanto as cenas que as estruturam, assim como um espetáculo teatral não é mais importante que seu ensaio. É da revelação da estrutura que o filme vai tratar.

Para tanto há que se abstrair.

Destaco dois momentos, ao meu ver, muito importantes, porque ilustram bem a idéia do filme: o espectador e o barulho do click da máquina no final. Aliás, a sonoplastia é um caso à parte. Os planos estáticos também.

Em relação ao espectador, que somos nós, quando pensávamos que seria introduzido um terceiro personagem, este é apenas a ilustração de uma foto, ou melhor, de um desenho. Só que por um efeito do refletor, a sombra dessa ilustração fica bem destacada na parede. O terceiro personagem, portanto, que nos representa, é a ilustração de um desenho e também a sombra desse respectivo desenho, ampliado na parede que serve como uma segunda tela dentro da tela. Essa cena ilustra o processo de composição de um filme. O modelo da sombra ou da imagem na tela, não é o real. Nós sim, os espectadores, somos os personagens reais à léguas de distância da sombra projetada na parede. É com a abstração do real e seu conseqüente afastamento que se faz um filme.

O segundo momento é o gradativo processo de abstração. Primeiro, temos a nudez estonteante de Alessandra Negrini – nudez sem subterfúgio, nudez em riste. Depois, o seu esqueleto, como o negativo de uma imagem ou sua estrutura. E abstraindo ainda mais, a ausência total da imagem, apenas o click da máquina. Como se o fundamento último de um filme fosse mesmo a ausência da imagem, apenas uma idéia, acompanhada, quando muito, pelo seu respectivo ruído.

“A ERVA DO RATO” faz parte de uma tradição, deixada à margem no cinema nacional, cujo tema é o processo de composição. Sganzerla e Glauber compõem essa tradição. Manuel de Oliveira também. Godard também.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

SKYLAB IX - RELEASE


Foto: Lois Lancaster, Skylab e Marcelo Birck

(Publico aqui, em primeira mão, o release do meu próximo lançamento).


Show de lançamento: 04/10, no Centro Cultural São Paulo

SKYLAB IX é o primeiro DVD de Rogério Skylab.
Dentro da série dos Skylabs, concebida para terminar no décimo, esse penúltimo é um resumo: procura conter toda a série dentro de si.
Mas traz também algumas novidades.
Apresenta 30 músicas, todas de sua autoria.

O show foi gravado no Centro Cultural São Paulo em setembro de 2008. Nada mais justo: O Centro Cultural São Paulo tem sido uma constante na carreira de SYLAB. Todos os seu discos foram lançados lá.

Dentre as novidades, “Samba de uma só nota ao contrário” e “Show do Rappa”, são músicas que nunca tinham sido apresentadas antes, nem mesmo em shows.
Outras músicas, também presentes e que nunca tinham sido gravadas, são: “Sem Anestesia”, “Vácuo”, e, “Oficial de Justiça”.

O DVD apresenta três convidados: Maurício Pereira (Os Mulheres Negras), que assina com Skylab a música “O Mundo tá sempre girando” – ambos fazem um dueto; Marcelo Birck (ex Graforréia Xilarmônica, banda gaucha), que assina com Skylab a música “Samba de uma só nota ao contrário” – Birck também toca guitarra nessa faixa; e Lois Lancaster (Zumbi do Mato) que canta, junto com Skylab, a música “Samba”.

Se o DVD apresenta 30 faixas, já o CD, mais resumido, vai apresentar 16 faixas.

Todos os cds anteriores, que vem compondo a série dos Skylabs, estão representados no DVD. Gravado pela Sentimental Filmes e dirigido por Amílcar Oliveira, essa é uma boa amostra da produção de Rogério Skylab.

Conhecido por suas apresentações nada convencionais no Programa do Jô, e tendo faturado o Prêmio Claro de Música Independente com o disco SKYLAB V (lançado pela Revista Outra Coisa, do músico Lobão), Rogério Skylab lançou também pela editora Rocco o livro “Debaixo das Rodas de Um Automóvel”.

O SKYLAB IX foi mixado e masteurizado por Vânius Marques na CIA DOS TECNICOS.

Para maiores informações:
www.rogerioskylab.com.br

Agenda de shows: tratar com Solange Venturi:
solange.venturi@uol.com.br