Acabei de ouvir a entrevista que concedi a rádio Rock Flu.
É bem longa. E em razão do formato do programa, a entrevista se tornou inusitada.
Quero me congratular com o Gustavo Valladares e o Sérgio Duarte pela edição sem cortes. Isso é raro.
http://www.rockflu.com.br/player.php
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
ROCK FLU
A turma responsável pelo programa de rádio Rock Flu esteve na minha casa gravando uma longa entrevista comigo. Esse programa estará no ar em breve. Espero que não cortem nada na edição. Assim que o programa entrar no ar, eu aviso por aqui.
Mas enquanto isso, vocês podem conferir um pequeno trecho em que analiso o desempenho do Flu na Taça Guanabara.
domingo, 21 de fevereiro de 2010
THE BEST OF SKYLAB

A iniciativa dessa compilação foi do pesquisador musical Marcelo Fróes, autor de livros como "Bob Dylan por ele mesmo" e "Jovem Guarda em Ritmo de Aventura".
Transcrevo abaixo a pequena entrevista que fiz com ele.
1- Marcelo, te conheço já há algum tempo.
Desde a época do International Magazine, que foi um jornal que teve uma marca: produzia longas entrevistas. Vocês chegaram até a publicar um livro com essas entrevistas. Agora, vc está com o selo Discobertas. Vc acha que o selo continua a linha do jornal ? E o jornal continua firme?
Sim, nos conhecemos através do Marcos Petrillo, meu ex-sócio, há uns 15 anos. Quando assumi a editoria em 1994, fizemos uma nova linha editorial e realmente o grande lance eram as longas entrevistas com grandes nomes da música - sempre históricas, gravadas em cassete e transcritas na íntegra. Eu levava dias para transcrever e revisar tudo, e as entrevistas ocupavam um encarte que variava de 8 a 12 páginas. Os artistas adoravam, cheguei a ouvir de uma divulgadora que tinha artista que preferia falar ao IM que a veículos mais famosos, pertencentes a grandes gupos. Trilhamos uma história bacana, eu sempre seguindo minha linha de pesquisador e usando o jornal para passar informação e não somente notícia. Daí tanto conteúdo histórico, verdadeiramente atemporal. Hoje em dia cada associação de bairros possui um pesquisador musical, mas na época o termo nem era muito falado. Mesmo assim, em um dado momento, acho que foi Tárik de Souza que me afirmou que sou jornalista. Eu nunca me qualifiquei como tal, porque na época seria até exercício ilegal - pois não é essa minha formação universitária. Mas, da mesma forma que existem bancários e banqueiros, existem jornalistas e jornaleiros. Como eu não era jornaleiro, mas dono de jornal, acabei aceitando a qualificação com o passar dos anos. O IM passou por algumas alterações ao longo dos anos. Marcos Petrillo desligou-se há cerca de 10 anos e eu prossegui com o sócio remanescente, mas recentemente ele adoeceu. Toquei o jornal até 2009 sim, mensalmente, mas com o passar dos anos fui vendo que realmente a banca está muito combalida e não faz parte do roteiro cultural das novas gerações. Após 150 edições, e às vésperas de completar 20 anos agora em 2010, o IM vai finalmente migrar pra Internet e será um portal bem legal - com muita notícia e todo o acerto deste veículo que orgulha de ser o jornal musical de maior longevidade no Brasil.
2- Tinha uma coisa no jornal que me deixava um pouco descontente: eu não sentia que havia um desejo genuíno de falar do novo. Ainda que houvesse uma turma de colunistas que falavam o que queriam. No entanto, quando vejo teu selo debruçado sobre compilações... hoje em dia, vejo com bons olhos. Existe a questão da memória, né?
Isso foi sempre o que mais me motivou e pelo qual mais tive retorno, nos projetos que desenvolvi ao longo desses quase 20 anos de mercado musical. Nada contra o novo, procuro estar sempre ligado no que acontece. O IM lançou o primeiro single dos Mamonas Assassinas, encartado em sua edição de julho de 1995, e foi também o primeiro veículo brasileiro a dar capa para o Oasis e para o Coldplay, por exemplo. Nossa última capa, aliás, foi também a primeira do Forfun. O novo sempre envolve muita vaidade de quem lança, principalmente num mercado provinciano como o brasileiro. Normalmente as pessoas desdenham os novos talentos que alguém resolve lançar, por uma questão de vaidade, e a impressão que se tem é de que as descobertas só são realmente apreciadas por seus descobridores - até o momento em que bombam; aí todo mundo quer ser pai do filho bonito.
3- Eu te confesso que me surpreendi ao ser contactado por você para o The Best Of. Primeiro porque coletâneas lembram pessoas que já fizeram suas melhores coisas. E eu sinceramente me sinto ainda envolvido na luta. Tentando produzir novos discos, novas canções. Um dos problemas dessa compilação é que ela não contempla o SKYLAB X, que ainda vai sair. Também não contempla um novo disco que eu devo produzir fora da série. Por outro lado, eu não quis me envolver na escolha das músicas. Talvez se eu tivesse me envolvido nisso, as músicas não seriam essas. Mas acho curioso vc ter escolhido algumas músicas como FORA DA GREI. Qual foi o critério que te fez escolher essas músicas? Apenas gosto pessoal?
Assisti diversos shows seus em 95, 96 etc... anos antes de você finalmente começar a série Skylab com aquele CD produzido pelo Robertinho de Recife e lançado em 1999. Com a memória histórica que tenho, percebo que muitos de seus clássicos já estavam compostos e eram cantandos em shows ao longo daqueles anos. Nem todas aqueles "hits" de seus shows foram gravados no primeiro CD, alguns você só viria a gravar nos anos seguintes. Mas eu fiz questão de pescar "Cântico dos Cânticos" e "Sensações", que você já cantava em show em meados dos anos 90. São canções que foram amadurecendo no seu repertório mas ficaram sempre presentes, tanto é que várias delas foram gravadas e até regravadas ao longo dos anos e até chegaram ao seu DVD ao vivo, lançado no final de 2009. Sendo você "aquele rapaz desconhecido há um tempão", como bem coloco no textinho da contracapa do CD, tive a liberdade histórica para agrupar aquelas canções como alguém que te acompanha há pelo menos 15 anos. Claro que a garotada que te conhece das aparições no Jô e do YouTube provavelmente montaria um disco diferente. Quem sabe não fazemos um "Best Of" volume 2 ?
4- Vc acha que ainda se compra CD hoje em dia? É curioso que justamente quando o mercado está tão retraído, justo aí você resolva investir no seu selo. Você imagina a Discobertas diversificando, partindo também para o mercado virtual?
Não vou te dizer que eu nunca tenha pensado nisso, mas eu acho que - como um pequeno negócio, para fãs e colecionadores - o CD ainda tem um bom caminho pela frente. Há muita gente interessada na música brasileira, aqui e no exterior, e a própria garotada sabe ir atrás de um disco quando o sente realmente especial. Como "big business", o CD não funciona mais, mas para uma pequena empresa - sem funcionários - a chance de trabalhar decentemente é boa. Até porque existem muitos catálogos pra se explorar, via licenciamentos, e há muito material que nunca chegou ao CD e que para um projeto modesto possa funcionar. Como o nome do selo é Discobertas, prefiro continuar acreditando no disco e acho que ainda levarei um tempo para pensar em música digital.
5- Eu ia te perguntar: Beatles ou Rolling Stones? Mas basta te conhecer um pouco pra adivinhar a tua resposta. Você acredita que são dois entroncamentos que definiram a música que viria depois? Ou você acha que não existe esse antagonismo?
Eu sempre achei essa coisa de Beatles e Stones uma grande idiotice brazuca. Na verdade isso é uma questão mais terceiro-mundista, de um mercado musical que nos anos 60 não absorvia tudo o que realmente rolava no mercado pop. Nossa indústria fonográfica estava crescendo, os compactos de 7 polegadas estavam apenas começando, e tínhamos muito bolero, samba, bossa nova, MPB, festival e jovem guarda. Além disso, absorvíamos não só o rock e as baladas inglesas e americanas, como também muito do que rolava em países como França e Itália. Com isso, as gravadoras não tinham espaço para trabalhar mais que Beatles e Stones por aqui. Menos da metade dos discos dos Beach Boys saíram por aqui, por exemplo, e eles eram os maiores rivais musicais dos Beatles. E nem boa parte dos discos do Who, dos Kinks etc, tampouco. A gente só tinha Beatles e Stones, basicamente, como grandes bandas internacionais no catálogo de uma mesma gravadora - a Odeon. Era natural que rolasse esse climinha na mentalidade das pessoas, ainda mais com aquela música italiana "Era Um Garoto Que Como Eu Amava Os Beatles E Os Rolling Stones" tocando sem parar. Mas, por exemplo, os leitores do tablóide musical britânico NME elegeram os Beach Boys a melhor banda de 1966... e eles eram americanos! Isso foi um choque para os Beatles, mas por aqui isso nem fazia efeito. Eu gosto dos Stones, mas eles nunca foram comparáveis aos Beatles na minha cabeça - até porque não eram rivais, eram amigos e em algumas (poucas) ocasiões membros de uma banda gravou participação em faixas da outra banda.
Como comprar:
http://www.livrariasaraiva.com.br/produto/2869161/the-best-of-rogerio-skylab/?ID=C913D2EC7DA02150B310B0444
sábado, 13 de fevereiro de 2010
HÁ QUATRO DIAS QUE EU NÃO TOCO UMA PUNHETA
Há quatro dias que eu não toco uma punheta.
Quatro longos dias. Quarenta mil espermatozóides
multiplicados por quarenta milhões.
Quatro dias eternos.
Quatro séculos, quatrocentas mil horas
em apenas quatro dias.
O infinito, sem fim nem começo,
entre o primeiro e o quarto dia.
A história da humanidade cabe
nesse curto espaço de tempo.
Quarenta bilhões em reservas,
subdivididos em outros quarenta bilhões,
que por sua vez se subdividem
nesses quatro dias que eu não toco uma punheta.
skylab/fev
Quatro longos dias. Quarenta mil espermatozóides
multiplicados por quarenta milhões.
Quatro dias eternos.
Quatro séculos, quatrocentas mil horas
em apenas quatro dias.
O infinito, sem fim nem começo,
entre o primeiro e o quarto dia.
A história da humanidade cabe
nesse curto espaço de tempo.
Quarenta bilhões em reservas,
subdivididos em outros quarenta bilhões,
que por sua vez se subdividem
nesses quatro dias que eu não toco uma punheta.
skylab/fev
CARTA ABERTA A CUCA
Cuca,
temos logo mais uma parada dura.
Não tem como não reconhecer o teu papel na virada do Flu nesse último brasileirão.
Mas eu queria te pedir uma coisinha. Uma não. Duas.
1- Não transforme o Flu numa sucursal do Botafogo.
Ruy Cabeção, Thiaguingo, agora André Lima. A gente não precisa desse refugo. O time alvi-negro não é motivo nenhum de orgulho. Tua passagem por lá inclusive não traz boas recordações, né? Seja sensato. Esquece o Botafogo.
2- Eu te peço encarecidamente: não faça substituições no meio da partida. Cada substituição sua é um frio na espinha. Caso o FLU estiver perdendo, fique quieto. Tudo é uma questão de manter a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo, já dizia Walter Franco. Tuas substituições te dão o pseudônimo de "Lelé da Cuca". Não queira passar essa vergonha. As coisas se arranjam por si só, você vai ver.
Em tempo: caso o Maicon não possa jogar mesmo, entra com o Alan. Não vai queimar o Bruno Veiga numa semi-final.
Boa sorte pra todos nós, tricolores.
temos logo mais uma parada dura.
Não tem como não reconhecer o teu papel na virada do Flu nesse último brasileirão.
Mas eu queria te pedir uma coisinha. Uma não. Duas.
1- Não transforme o Flu numa sucursal do Botafogo.
Ruy Cabeção, Thiaguingo, agora André Lima. A gente não precisa desse refugo. O time alvi-negro não é motivo nenhum de orgulho. Tua passagem por lá inclusive não traz boas recordações, né? Seja sensato. Esquece o Botafogo.
2- Eu te peço encarecidamente: não faça substituições no meio da partida. Cada substituição sua é um frio na espinha. Caso o FLU estiver perdendo, fique quieto. Tudo é uma questão de manter a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo, já dizia Walter Franco. Tuas substituições te dão o pseudônimo de "Lelé da Cuca". Não queira passar essa vergonha. As coisas se arranjam por si só, você vai ver.
Em tempo: caso o Maicon não possa jogar mesmo, entra com o Alan. Não vai queimar o Bruno Veiga numa semi-final.
Boa sorte pra todos nós, tricolores.
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
MEUS EUS
- óh meus eus, multiplicai-vos.
Viver aos deus dará.
Seus eus não são os meus.
Mas posso imaginar
e sentir sua dor.
E ser seus eus
como se fossem meus.
skylab/fev
Viver aos deus dará.
Seus eus não são os meus.
Mas posso imaginar
e sentir sua dor.
E ser seus eus
como se fossem meus.
skylab/fev
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
PEDRINHAS PORTUGUESAS

Caminhar pelas ruas do Rio vem se constituindo em atividade de alto risco. Não me refiro a balas perdidas, tão pouco a motoristas bêbados. Não fosse isso suficiente, tem também o chão, verdadeiro cadafalso.
Um dos meus discos, o SKYLAB VI, traz na capa meu rosto enfaixado. A foto foi tirada por Solange Venturi logo após uma cirurgia a que me submeti para reconstituição do côndilo, osso situado na extremidade da mandíbula e responsável por seu movimento. O acidente, que me levou a fraturá-lo, foi um reles escorregão motivado por calçada esburacada. Tem sido esse o karma do carioca. No meu caso, o gelo baiano, artifício usado para proibir estacionamento e muitas vezes sem a devida licença da prefeitura, serviu para escorar meu queixo durante a queda. Caí como todos caem, pego de surpresa e com uma expressão patética, pra não dizer pateta. Como retornava do trabalho e chovia, sujei minha roupa, feri meu braço e entortei minha boca. Fui acudido por uma senhora que passava na ocasião (sempre tem alguém nessas horas que vem te socorrer) e lá fui eu pra casa, roto e maltrapilho. Não sabia ainda o que me esperava: um pino em lugar do osso esfacelado.
Lembro dessa estória porque ontem foi a minha vez de acudir. Somos todos solidários. Era uma linda jovem (não pensem que só acontece a velhos). Estava a dois metros na minha frente e desfilava num chão de pedras portuguesas. Há quem as defenda – as pedras portuguesas de fato fazem parte da história do Rio de Janeiro. E não há nelas mal nenhum, se houvesse por parte do estado o compromisso da conservação. Como o estado não exerce sua função, transfere então a responsabilidade que é sua para os proprietários dos imóveis. Essa nova lei, por exemplo, é um monstrengo e expressa bem o espírito que norteia a administração pública. Por outro lado, medidas realistas têm sido tomadas no sentido de manter as pedras portuguesas no âmbito restrito de áreas ligadas ao patrimônio histórico da cidade. Argumentos que realçam o aspecto estético, não são suficientes. No espaço público, o que não tem funcionalidade se desmorona.
O professor Cristóvão Duarte, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UFRJ, que defende a manutenção das pedras, chama a atenção, entre outras coisas, para: a flexibilidade, o baixo custo, a facilidade de drenagem e a resistência ao tempo que tem as referidas pedras. O incremento de uma escola de cantaria também é lembrado, assim como uma manutenção periódica, anual. E por fim, o golpe de misericórdia de um entusiasta das pedrinhas: “tudo isso nos faz lembrar um antigo prefeito do Rio que, para evitar que as marquises desabassem sobre as cabeças dos transeuntes, resolveu proibir a construção das marquises por toda a cidade”.
De qualquer maneira, a discussão tem que levar em conta o contexto: estamos no século XXI, as pessoas continuam se estabacando, denúncias dão conta que muitas dessas pedras vem sendo roubadas e vendidas; e o livre acesso de deficientes físicos continua problemático, justo quando a democratização das áreas públicas é o que mais demanda ampliação.
E lá foi a nossa linda jovem pro chão. Caiu feio, de barriga, como uma bola murcha. Nem pode ao menos proteger o rosto. Ao levantá-la, suas mãos tremiam, estava fria, assustada.
Esse é o estado de nossa cidade maravilhosa. E não há como endireitá-la sem começar pelo chão. Como contraste, Paris – a cidade luz: um chão liso, que dá segurança e nos convida a caminhar.
O Rio também tem a vocação pro passeio. E nunca o céu esteve tão azul como neste verão. Mas o chão é um precipício e serve de metáfora para um país cheio de contrastes.
sábado, 6 de fevereiro de 2010
ACHADOS E PERDIDOS

Em ACHADOS E PERDIDOS, segundo romance de Luiz Alfredo Garcia-Roza, de 1998, e transformado em filme por Jose Joffily, temos um mundo dividido em duas partes, conforme o próprio título já indica. Existem dois pares de delegado e amante (Vieira e Flor, Espinosa e Kika); existem duas putas, Magali e Flor, com as quais o delegado Vieira se envolve; existem dois detetives, Maldonado e Chaves, representando respectivamente a banda saudável e podre da polícia; a banda podre que vai impetrar vários atos ilícitos é representada por dois delegados que não sabemos quem é; e das várias séries (a morte de Magali, a morte do primeiro menor, a morte do contraventor que acha a carteira, a morte do segundo menor e a morte de Clodoaldo) Garcia-Rosa vai preferir tecer duas séries independentes, ao invés de cair na tentação da unidade.
Mesmo a parte não corruptível da polícia, representada por Espinosa e Vieira, ambos delegados, será dividida também em duas partes: espontaneidade e inteligência; aposentadoria e trabalho.
Quando o pistoleiro divide-se em dois hotéis, num deles mantém seu nome. Quando a porta de um elevador se abre, mostrando em seu interior o vilão, um outro elevador em frente também se abre, deixando atônitos Vieira e Espinosa. E na cena final, entre Espinosa e Flor, o revolver de Vieira finalmente decide o alvo.
Essa duplicidade, que subjaz em todo o romance, é sua marca maior. “ Pensar para Espinosa não era articular conceitos logicamente, mas um enfrentamento mortal entre a racionalidade pura e o imaginário sem limites que dominava de forma quase absoluta o que ele próprio considerava mental. Entre o racionalista frio e o fantasista semidelirante, ele situava a si mesmo entre os segundos, embora aparentasse o oposto”.
Esse jogo entre o real e a aparência, entretanto, longe de ser um esquema redutor, ao qual todo o movimento do romance estaria confinado, será colocado entre parênteses na cena do elevador. É quando o esquema dualista desaparece e os três personagens (Vieira, Espinosa e o Matador) encontram-se juntos no elevador escuro. Nesse momento, a fronteira que separa o joio do trigo desaparece. Os três personagens subvertem o esquema dualista e, ao final da cena, cada um aparece absolutamente diferenciado: o Matador morto com um tiro no peito; Vieira sentado com as mãos no rosto; e Espinosa com a perna baleada.
Se o desfecho de uma das séries, que tem como pano de fundo a venda de drogas e se baseia num engano, será triádico, já o desfecho da outra série (a morte de Magali), também fundada num engano, terá um caráter dualista (é como se tivéssemos diante de uma roleta russa, com o revólver de Vieira ora apontado para Flor, ora para Espinosa).
O caráter dualista, portanto, não é redutor. Ora tem o “engano” como pano de fundo, ora tem a dissonância de um terceiro elemento, que, ainda assim, estará a serviço do dualismo que tece a trama.
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
NOVA ENTREVISTA
Eu sempre tenho um frio na espinha quando gravo uma entrevista.
Isso por causa de uma coisa chamada EDIÇÃO.
Uma edição pode deturpar tudo.
Não que a entrevista que concedi à revista ROTATIVA tivesse sido adulterada. Não é isso.
Mas pra mim que valorizo uma frase bem construída... sofri.
De qualquer maneira, aí vai ela:
http://www.arotativa.com/arotativa/ouvir/rogerio-skylab-entrevista/
Acho que dentre as várias coisa que falei, algumas a respeito do MOVIMENTO FORA DO EIXO valem a pena e servem como continuação do tópico anterior.
Isso por causa de uma coisa chamada EDIÇÃO.
Uma edição pode deturpar tudo.
Não que a entrevista que concedi à revista ROTATIVA tivesse sido adulterada. Não é isso.
Mas pra mim que valorizo uma frase bem construída... sofri.
De qualquer maneira, aí vai ela:
http://www.arotativa.com/arotativa/ouvir/rogerio-skylab-entrevista/
Acho que dentre as várias coisa que falei, algumas a respeito do MOVIMENTO FORA DO EIXO valem a pena e servem como continuação do tópico anterior.
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
PABLO CAPILÉ COM A PALAVRA
"Tem banda de Recife muito bacana, com mais tempo de estrada que o Macaco Bong, e o Macaco Bong já tocou em 23 estados. Nessa mesma perspectiva, Cuiabá também é tão longe quanto é Natal. Só que o Macaco Bong se preocupa em fazer um planejamento. Comprar passagens aéreas em promoção, acrescentar outros trabalhos além do show para sensibilizar o contratante. Muita banda ainda não saiu do sistema analógico. Se alguma banda falar que não tem condição de ser do tamanho do Macaco Bong, se mata. É uma banda muito bacana do cenário independente, mas que aqui em Natal tem público de 80 pessoas. É um público conquistado no laço. Em pegar e-mail após o show, em participar da comunidade e conversar com o público, em avisar quando vai voltar a cidade, em sempre cavar matérias bacanas, se bancar para ir a shows legais. E entender os festivais mais como mostra do que como plano de sustentabilidade financeira. Eu sou dentro da ABRAFIN um defensor de que não se deveria pagar cachê as bandas. Festival é uma mostra. É entender que uma banda só vai ter um público de 6000, 7000 pessoas em Cuiabá no Festival Calango. Se a banda não entender que o principal lastro dela é público, se mata também. Tem um exemplo forte disso que é o Cidadão Instigado. O Cidadão Instigado vai numa revista e fala que a ABRAFIN é uma máfia. Só que o Cidadão está acostumado com o padrão SESC de cachê. Aí acredita que aquilo que o SESC banca para ele, é o que ele tem que receber. Só que lá em Cuiabá o Cidadão Instigado não leva 30 pessoas. Essas 30 pessoas pagando R$ 20.0 dá R$ 600.00. E o meu festival é praticamente gratuito. Mas se pagassem R$ 20.00, dava R$ 600.00. Aí a gente triplica isso pelo valor agregado, a banda esteticamente é bacana. Então além da bilheteria, vamos dar uma triplicada nisso aí. Dá R$ 1.800,00. Só de cachê o cara me pede R$ 4.000,00. Então só de cachê saímos em um déficit de R$ 2.200,00, sem contar as passagens. Então se ele não consegue equilibrar isso, entender que o festival forma público e que para ele voltar e ter público teve que construir esse lastro, fica difícil estabelecer uma negociação".
Pra quem quiser acompanhar toda a entrevista, http://www.oinimigo.com/blog/?p=3634
O legal dessa entrevista, dada para o blog O INIMIGO, foi a grande quantidade de comentários polêmicos. Vale a pena uma conferida.
Pablo Capilé é o cara. Uma das principais figuras do Movimento Fora do Eixo, ABRAFIN e CUBO.
Pra quem quiser acompanhar toda a entrevista, http://www.oinimigo.com/blog/?p=3634
O legal dessa entrevista, dada para o blog O INIMIGO, foi a grande quantidade de comentários polêmicos. Vale a pena uma conferida.
Pablo Capilé é o cara. Uma das principais figuras do Movimento Fora do Eixo, ABRAFIN e CUBO.
A CULPA
Sente-se só e culpado.
Ninguém o perdoa pelo crime cometido.
Chamam-no de vagabundo
e vislumbra um longo dia pela frente.
Ele não faz nada (esse é o problema).
Agora mesmo lhe restam muitas opções:
escrever esse poema,
ir ao cinema, andar à esmo...
Seu projeto de vida,
que acalentou por muito tempo,
foi não fazer nada.
Ficar de braços cruzados olhando o nada.
Pois chegou o momento de ser ele mesmo.
E nem ao menos escrever esse poema.
skylab/fev 2010
Ninguém o perdoa pelo crime cometido.
Chamam-no de vagabundo
e vislumbra um longo dia pela frente.
Ele não faz nada (esse é o problema).
Agora mesmo lhe restam muitas opções:
escrever esse poema,
ir ao cinema, andar à esmo...
Seu projeto de vida,
que acalentou por muito tempo,
foi não fazer nada.
Ficar de braços cruzados olhando o nada.
Pois chegou o momento de ser ele mesmo.
E nem ao menos escrever esse poema.
skylab/fev 2010
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