segunda-feira, 29 de março de 2010

MAR DO NORTE

Esse poema, que transcrevo abaixo e está no meu livro DEBAIXO DAS RODAS DE UM AUTOMÓVEL, foi construído como antítese de uma vida cheia de aventuras. Na época, o Gabeira era o meu anti-modelo: sua vida havia se transformado em "O que é isso Companheiro?". Nada mais atual. Qualquer um, hoje em dia, tendo alguma visibilidade, pensa logo em transformar sua vida num livro e possivelmente num filme.


MAR DO NORTE

Nas águas geladas do Mar do Norte
desponta um iceberg
(esse é o depoimento de quem nunca viu um iceberg).
Nasci na puta que pariu.

Faço a poesia possível.
Nas esquinas de Rio Branco com Alte. Barroso,
a fuligem cai sobre a multidão.
Parece os Alpes se não fosse plano.

Vou me esquivando como quem esquia.
Essa é a minha Groenlândia de 42° C.
Se eu fosse o Fernando Gabeira

poderia contar as aventuras do exílio.
Como não sou, vou pela avenida
compondo de cabeça absurdas poesias.


("Debaixo das Rodas de Um automóvel", editora Rocco, a venda no site: http://www.rogerioskylab.com.br/comprar_livro.htm

domingo, 28 de março de 2010

MODERNO E RETRÔ

Isso até parece coisa dos Los Hermanos. Mas foi como o Jornal O Globo definiu o meu humilde bangalô.
Quem quiser dar uma olhada no vídeo: http://oglobo.globo.com/economia/morarbem/video/2010/17211/

GELÉIA MODERNA


O título lembra a GELÉIA GERAL de Torquato Neto, a coluna que o genial poeta mantinha na imprensa. Mas neste caso, refere-se a um programa de rádio. Capitaneado pelos Dj Brant e Jorge Lz, na rádio Roquette Pinto, 94,1 FM - RJ, todos os sábados, das 17:00 às 19:00 horas, pra mim foi uma descoberta, uma deliciosa descoberta. Pode-se ouvir o programa ao vivo, ou pelo rádio ou pelo site da Roquette Pinto. Mas fora isso, tem também o podcast http://geleiamoderna.podomatic.com:80/ onde fica armazenado alguns programas. Bom seria se todos os programas estivessem armazenados lá, a disposição dos ouvintes. Mas talvez por uma questão de espaço, alguns programas vão entrando e outros saindo.

O DJ BRANT é um louco, no bom sentido, audacioso o suficiente pra me contratar para um show, quando ninguém me conhecia ainda, no antigo Dr. Smith. Já o Jorge Lz, eu o conheci ontem quando fui gravar o programa.

A rádio, que é ligado ao governo estadual, tem uma programação de tirar o chapéu. Só o fato de não ter propaganda comercial a faz diferente em relação as demais. Além disso, a sua programação privilegia a música popular como nenhuma outra, nem mesmo a MPB FM, essa mais ligada ao pop.

Não quero dizer com isso que todas as rádios deveriam ser como ela. Longe de mim qualquer traço de nacionalismo. Mas a presença da Roquette Pinto junto às demais emissoras, aumenta o leque de opções da nossa rádio, que vem se caracterizando há algum tempo por uma perigosa acomodação - o tão propalado padrão FM.

O GELÉIA MODERNA não deixa de ser uma ilha dentro da Roquette. Você poder ouvir The Fall e Scramin' Jay Hawkins num só programa, "é luxo só".

Junto ao Ronca Ronca, o Geléia faz parte de uma tradição que alia o prazer à pedagogia. Daí a importância do locutor.

terça-feira, 23 de março de 2010

RESULTADO DA PROMOÇÃO

Estou horrorizado: ninguém ganhou.
Não foi uma pergunta difícil.
Só que as pessoas preferiram ir no SKYLAB II e ver quem eram os músicos.
Errou todo mundo.
E não foram poucos emails que recebi. A participação foi grande.
Juro que gostaria de estar comunicando agora o vencedor.
Meu propósito era dar mesmo o meu DVD autografado.
Aí me vem a pergunta: que público é esse que me acompanha?
Guitarrista: Alexandre BG
Baixista: Vlad
Baterista: Sergio Nacife

quinta-feira, 18 de março de 2010

ROGERIO SKYLAB NO PROGRAMA MUVUCA

Saudade não tem idade.
Foi através da Christina Caneca, a quem conheci quando dei um depoimento sobre Damião Experiença - aliás, vem aí um longa metragem sobre a vida dele - , que recebi um arquivo que muito me envaideceu.
Esse arquivo registra minha participação no Programa Muvuca da Regina Casé.
Alguém se lembra?
Ele foi gravado dentro de uma lavanderia.
Pelo youTube, a imagem nao é lá grande coisa: http://www.youtube.com/watch?v=pEunnOxwhgo
Mas você pode fazer download por aqui (a imagem é melhor): http://www.sendspace.com/file/knsz6w
Quem acertar os nomes do guitarrista, do baixista, e do baterista da minha antiga banda e que estão me acompanhando no programa, ganha de presente meu dvd autografado.
Responder para o meu email, informando seu nome e endereço: rogerio_skylab@uol.com.br
Segunda feira próxima é o prazo final.
Dentre os vencedores, vou sortear um e informo por aqui mesmo na próxima terça-feira.
Promoção relâmpago !!!!!
Só aqui, no Godard City !!!!

terça-feira, 16 de março de 2010

POESIA

Você não vai ganhar concurso nenhum.
Ninguém lembrará seu nome.
Passados os anos, bem velhinho,
você se lembrará: da esperança -

esse monstro de sete cabeças;
o esforço empreendido sem êxito
(porque não há dúvidas:
você buscava o reconhecimento);

e você se lembrará sobretudo
daqueles raros momentos
em que te vinha a intuição

de que nada te aconteceria -
e ainda assim você escrevia.
Estranho: principalmente aí você escrevia.

in, DEBAIXO DAS RODAS DE UM AUTOMÓVEL, Rogerio Skylab, ed. Rocco, 2006

Para adquirir esse livro:
http://www.rogerioskylab.com.br/comprar_livro.htm

sábado, 6 de março de 2010

A LAMA NA MÚSICA BRASILEIRA

Na música popular brasileira, dois artistas usaram a palavra “lama” com tanta insistência, que o referido termo acabou assumindo o papel de palavra chave em ambos os trabalhos. Quero me referir a Damião Experiença e Chico Science.

Ainda assim, o sentido do termo é completamente diferente em um e outro.

A lama em Chico tem um sentido preciso, localizável: os manguezais dos rios de Recife. João Cabral já se referia a essa lama em Morte e Vida Severina. Essa lama é a base do Mangue Beat: é denuncia, mas é também inserção:

“ A ciência conseguiu juntar
o mangue com o mundo
e de lá saiu
um malungo boy malungo
Antenado, camarada, malungo.
Sangue bom. Francisco de Assis. Malungo sempre bom.”

in, Malungo


Da Lama ao Caos, fala-se em Sandino e Lampião. E a revolução é o caminho a se trilhar, sem abrir mão da modernidade. Sair da miséria tem como corolário o computador e a modernidade. A lama é a miséria e a insurreição.

A música de Chico e seus respectivos arranjos apontam na direção dessa inserção ao mundo moderno. Cheia de overdrives e dub, lado a lado com os tambores do maracatu, o hibridismo já era sugerido no tropicalismo: Luiz Gonzaga e Beatles.

Não é de se admirar, portanto, que houvesse pronta aceitação, apesar da morte prematura de Chico. A nossa “Inteligenzia” adotou o Mangue Beat de braços abertos e Chico Science, ainda que com apenas dois discos, se tornou referência de nossa cultura.

O mesmo não se pode falar em relação a Damião Experiença. Caso limite, passou ao largo da nossa “Inteligenzia”. Nenhum disco seu, dos tantos que produziu (alguns chutam o número de 36), consta de alguma lista dos dez mais. É uma sombra na música popular brasileira, quando não é motivo de chacota. O programa Ronca Ronca, que me fez conhecê-lo, certa ocasião entrevistava o músico Frejat e este fez menção a uma gravação de Damião no estúdio de Torquato Mariano:

- o técnico de som estava preparando os equipamentos e quando informou a Damião que podia começar, este lhe disse que já havia terminado (risos).

Em Damião, seja por uma insuficiência técnica ou mental, o reguea não é reguea, a música é quase sempre a mesma, o seu violão de poucas cordas só faz barulho e a gaita não toca lá coisa com coisa. Daí, a primeira diferença em relação a Chico, que, quando ouvimos, distinguimos o maracatu, a embolada, a ciranda e outros ritmos pernambucanos. Em Chico existe a idéia de uma restauração agregada a novas tecnologias. Já em Damião não existe restauração nenhuma, é tudo impreciso, inacabado, precário, e daí, por mais paradoxal que seja, a sua força.

O mundo de Damião é tão subjetivo, que está longe de qualquer inserção ao mundo moderno. Em seu livro, que se repete em suas músicas, suas afirmações contra o aborto e contra a nova igreja (teologia da libertação) estão na contramão da história. Poderia-se mesmo, diante desse anacronismo, construir-se um mundo reacionário, anti-moderno, não fosse a sua linguagem de bas-fond, cheia de palavrões e sexo. Impossível um discurso lógico em sua fala, ao contrário do Mangue Beat. É aí que talvez pudéssemos aproximá-lo a Bispo do Rosário com sua técnica de assemblage e seu amor à taxonomia. Psicótico e também marinheiro, como havia sido Damião, Bispo retirava do lixo os seus materiais, o que dava a seu trabalho uma conformação ao tempo. Ambos foram contemporâneos. Se o discurso de Bispo esvaziava-se de uma lógica narrativa, uma vez que a idéia de coleção retira o privilégio de determinados materiais em relação a outros, o discurso de Damião também o fazia. “Todos são iguais, homem ou mulher, preto ou branco, todos são iguais”. E aí, creio, está a base de seu trabalho e o sentido que toma a palavra lama: “ Porque todos nós iremos para a lama. Porque depois que nós morremos, a gente vai para o chão, se a gente é queimado, depois as cinzas, a gente põe no chão e elas viram lama. Então eu digo: Planeta Lamma. É o planeta mais certo que existe no universo. Porque todos ali são iguais, um não pode falar do outro porque todos vão para ali, para serem eles mesmos, podem ser brancos, amarelos, pode ser encardido. Pode estar lindo, pode estar bem pintado, pode ter a maior mansão, tudo de confortável, de repente bateu o coração, e vamos todos nós para o Planeta Lamma” .

Não é à toa o nome “Damião Experiença”. A palavra “experiência” tem em Damião um status tal e qual a palavra “lama”. E se pensarmos bem, ambas se equivalem. Aliás, sua biografia está quase toda nas canções. Não nego que ao me remeter a “Jimmy Hendrix and Experience”, e mesmo “Fátima Bernardes Experiência”, fui levado inicialmente a pensar a “experiência” no sentido científico do termo: um laboratório de experiência, experimentações científicas como o skylab americano. A questão é que, dessa forma, pode-se mergulhar numa determinada prática, em detrimento a outras do senso comum,
e então instaurar-se um processo de hierarquização. Os movimentos vanguardistas do século passado caíram nessa armadilha e acabaram apenas invertendo o platonismo, o que os impediram de uma alternativa real à Metafísica.

Mergulhar no seio da experiência, desarticulando qualquer possibilidade de discurso, é aonde nos leva as canções de Damião, alguém de olhos e ouvidos bem abertos ao seu tempo. E lá vai a sucessão de suas imagens:

“o erro foi meu, casar com mulher furada, que outro comeu”; “a mulher que faz aborto não tem pena do seu próprio corpo... para evitar, deve tomar no ânu o ano inteiro”; “vamos deixar de lado a TV – máquina doida”; “a música é pátria do universo, não tem fronteira”; “planeta lamma – 27 palmo debaixo da terra, pode ser barões, ladrões”; “a droga é a história do universo, a língua das pessoas é mais suja do que as drogas”; “o mundo é minha pátria – eu abro a janela, uma aquarela”; “não gosto de ditadura, tem fingimento com abertura”; “sou a favor da natalidade, de tudo que é vida”; “a camisinha é pra pegar dinheiro”; “gurilões, bichos da cara preta”; “minha mina me largou por outra mulher, eu só gosto de mulher sapatão”; “Adeus, Adolfo Hitler, Eva Brown”; “Volta Getúlio Vargas para se encontrar com Fidel Castro”; “Vamos fazer açúcar para exportar para a Rússia”; “os homens estão virando mulher”; “os bichos da cara preta matando de escopeta, não têm medo de careta”; “Rastafari é ser livre”; “vim lá do sertão em busca de solução”; no xadrez – lá mesmo me tornei um vagabundo mesmo sem querer”; “estou desempregado, sem comer e sem dormir”; “você é negra, seu irmão também era negro, quem matou ele? Você sabe muito bem”; “a lida do morro, a vida do morro, os homi desceram, deixando atrás o ódio e a dor”; “o povo da América Central é tudo raçudo”; “morro do galo, era tudo natural, agora não é mais, é tudo artificial, pão com doce pra dar gosto na erva natural”; “só os mendigos salvam o planeta”; “mamãe não quer que eu seja homem não, que homem tem que trabalhar, metido a machão, usa chifre na cabeça pra dizer que é machão”; “o mundo foi bem feito, todo mundo tem defeito, ninguém é direito, não adianta prender, bater, matar, vocês só sabem criticar as mulheres da rua, os travestis, as mariposas”; “eu quero uma mulher livre, que seja humilde pra casar com Damião Experiença, uma mulher bonita pra me sustentar, que saiba passar, que saiba gozar, eu não ando com mulher de graça”; “eu vou para a praia de Havana plantar banana, Havana – cidade maravilhosa de América Central”; “eu não me sinto envergonhado de dizer que nunca trabalhei”; “eu sou peixe, sai do meu pé... mas eu estou aqui na terra, eu não gosto de mar”; “eu não nasci no Brasil, eu nasci na União Soviética, minha mãe é cubana, meu pai é revolucionário, militar da União Soviética, minha mãe é abolicionária”; “eu vejo com olho aberto a chuva levando barraco da favela”; “amor de mulher é dinheiro”; “o que está acontecendo eu já previa, rei de espada, dama de ouro... faria um jogo melhor se eu fosse um rei de ouro”; “eu gosto de apanhar de mulher, eu sou masoquista, ela pode bater, dá na minha cara, dá na minha boca, eu quero gozar a vida. Desde que ela me pague, ela pode fazer o que quiser comigo, eu quero uma mulher, me bate, me dê um bolachão”; “tenho raiva de quem trabalha, sempre fui sustentado por mulher”; “é livre ser Rastafari, eu sou é Rastafari lá do sertão”; “o mundo é dos inteligentes, dos espertos”; “o mundo é dos inteligentes, está dividido em duas potências”; “eu sou fã dos Estados Unidos e da Rússia”; “o papa visita a favela e não faz nada por ela, Papa papão, ta papando o meu próprio pão”; por que a razão de nós americanos da América do Sul não viajamos pra Cuba, para tirar as dúvidas dos jornais americanos que tanto criticam Cuba, falando de Fidel Castro; “homens da lei ficam fazendo certas maldades com essas pobres mulheres (prostitutas), dentro de suas casas vaidade, tanta coisa incubada, eles ficam com tanta raiva, pegam os travestis, mulheres das enxurradas, dando tanta porrada”; “marinheiro João Cândido foi um revolucionário da marinha brasileira... pqgou um navio, saiu baia a fora e gritou – ou liberta a chibata ou aumenta o fogo. Os Homi gritaram bem alto – a chibata ta libertada”; “qual o homem ou mulher que não faz o 1999? Eu não faço porque não gosto”; “meu pai e minha mãe batendo com cipó de caboclo, fui obrigado a fugir, assim mesmo agradeço o que ele fez comigo, quebrou minha boca, minha cabeça”; “Viajando pra Cuba e pra Cortina de Ferro, perturbado da cabeça, mamando as meninas mais novas. Não valho nada mas as mulheres ficam tudo em cima de mim, gostam da minha língua”; “os bichos da cara preta estão acabando o Brasil”; não tem nenhuma gravadora, eu financio o meu próprio acústico... é tudo de graça, não precisa comprar”; “eu quero casar com essa vagabunda, essa cadela arrombada. Estou brocha, já fui o maior cafetão do mangue”; “ eu nasci na Colômbia, Bogotá, vou fumar a pretinha de lá, vou navegar a branquinha de cá”; “ sábados, domingos e feriados, dias de cornudo ficar em casa”; “prostitutas enlatadas, casadas, tanto faz da zona, tanto faz da família”; “diabo tem chifre, demônio bota chifre no homem”; “eu sou a favor da vida, sou contra o aborto, toma no cuzão pra não fazer aborto”; “lésbicas, gays, mulheres que eu amo, elas trazem mulheres pra vocês e pra elas”; “mulher casada quer ser vaca de boi”; “eu casei e virei gay, todo gay é casado”; “neném, vai dormir que papai vai ser mamãe e mamãe vai ser papai”; “botei sua mãe na zona pra me alimentar”; “a mulher é a galinha, o homem é viado, ela fala pra ele – dá em cima de mim, viado!”; “eu só gosto de mulher que só gosta de mulher e toda vez que chegar em casa só encontro mulher”; “só gozar com aquela merda lá que tem em casa?”; “gayzão quer ficar casado pra disfarçar que é gay”; “eu sou casado, eu sou cornão, cornão casado, mas já estou velho, brocha, vou dar no pé”.

Esse é o vocabulário de Damião Experiença. E assim posto, parece mais uma bricolagem, juntando coisas incompossíveis, mas retiradas da experiência. Tara, vagabundagem, comunismo. Materiais retirados do lixo histórico e, ainda que antagônicos, postos lado a lado, como uma coleção de objetos. Qual dentre eles tem a primazia? Aí é que está. Pra quem viveu o ápice da guerra fria, deve mesmo ficar atônito ao ouvir Damião declarar-se fã da Rússia e dos Estados Unidos. “ E eu digo que a terra é um ser vivente, porque ela nos constrói e depôs nos destrói. É por isso que esse livro se chama “Planeta Lamma”, o planeta da verdade, da realidade, é a coisa mais certa que existe, não adianta, o ser humano como homem e mulher são todos iguais”.

A lama ou terra é a base, o fundamento mesmo de um discurso pragmático, anti-lamentação, ao contrário de Chico Science que vê a lama como negação humana e motivo para insurreições. A lama em Damião iguala, em Chico Science é luta de classes e estopim. A lama em Damião induz a transformação pelo trabalho, em Chico Science induz a revolução e a luta armada. A lama em Damião é um apelo a união dos diferentes, em Chico um convite a porrada. E se o instrumento dessa luta em Chico integra a tecnologia, Damião, se não a nega, ao menos não a endeusa.

Daí porque em Chico existe sempre dois mundos: “Pernambuco em baixo do pé, e minha mente na imensidão”; a lama e o caos; o passado e o moderno.

Com as roupas sujas de lama
porque o barro arrudeia o mundo...
eu sou como aquele boneco..
controla seu próprio satélite.
Andando por cima da terra,
conquistando o seu próprio espaço.

in “Um Satélite na Cabeça” de Chico Science

Em Damião, ao contrário, o mundo é um só: “e é aqui que termina as minhas histórias e meus versos, as minhas músicas. É o mundo, é o Planeta Lamma”.

OBS:
1- as seqüências de fragmentos foram retirados das canções de Damião Experiença e as citações, de seu livro (ambos encontrados no Portal do Daminhão);
2- As citações de Chico Science foram retiradas de suas canções.

segunda-feira, 1 de março de 2010

LEOPOLDINA (MG)

A vida tem estranhas coincidências.
A família de minha mulher é de Leopoldina (MG).
Tenho ido pra lá sistematicamente: seja pra passar o carnaval, o Natal, a Páscoa...
Leopoldina é quente. Não tem nada, por isso que eu gosto tanto de lá.
Uma das minhas atividades preferidas na cidade é flanar pelas ruas tomando sorvete de casquinha. Leopoldina se tornou a expressão do meu ócio absoluto.
Por isso que penso em me transferir para lá assim que tiver concluída a minha discografia: SKYLAB X e mais um que eu pretendo produzir fora da série.
Acho mesmo que vou morrer em Leopoldina completamente esquecido.
É o meu projeto pro futuro.
Mas aí vem a coincidência: o grande Augusto dos Anjos morreu de tuberculose em Leopoldina (MG) no dia 12 de novembro de 1914. Em fins de 1913 mudou-se para Leopoldina MG, onde assumiu a direção do grupo escolar e continuou a dar aulas particulares. Seu único livro, "Eu", foi publicado em 1912.
É apenas coincidência.
Quem sou eu pra me comparar ao grande Augusto dos Anjos.
Sou melhor.
http://www.leopoldinense.com.br:80/base.asp?area=noticias&id=1961