domingo, 28 de novembro de 2010

PIERRE BOURDIEU




Conjecturações sobre “Meditações Pascalianas"


Meditações Pascalianas
Pierre Bourdieu
Edição: Bertrand Brasil, 2001
Tradução: Sergio Miceli
Edição Original: Editions du Seuil, 1997



“O ponto de vista duplo, bifocal, daquele que, tendo-se reapropriado de sua experiência como sujeito empírico, abarcado pelo mundo e, portanto, capaz de compreender o fato da implicação e tudo que lhe é implícito, tenta inscrever na reconstrução teórica, inevitavelmente escolástica, a verdade dos que não têm interesse, nem a pachorra, tampouco os instrumentos necessários para lançar-se a apropriação da verdade objetiva e subjetiva do que fazem e são”. (Pierre Bourdieu)


I

O corpo em Pierre Bourdieu vai assumir a importância que, a partir do século XX, lhe foi concedida pela Filosofia. Nas artes, nunca esteve tão em evidência, chegando inclusive à gêneros como a body-art. Mas diferentemente da licenciosidade da contra-cultura, o corpo em Bourdieu não é subversão. É antes expressão das relações sociais, índice simbólico do Poder. O seu conceito de “habitus” e “disposição” vem dar conta de um espaço da ação que não se confunde nem com a intenção husserliana, nem com o fisicalismo mecânico. E nesse meio caminho, fora da lógica das oposições, da qual o maior exemplo é o cartesianismo, Bourdieu vai indicar algo diferente do dualismo.

Contra a “Teoria da Ação Racional”, que via a ação ou como efeito de coações externas, ou como produto da escolha livre baseada em cálculo, Bourdieu vai fundamentar a ação no habitus, inscrito nos corpos pelas experiências passadas. O hábitus seria um esquema de percepção, apreciação e ação. O corpo passa então a ser um instrumento de conhecimento, ao invés de empecilho como era para o cristianismo e Platão.

Mas sempre em Bourdieu predomina o duplo: disposições e habitus (as disposições são maneiras de ser, resultantes da modificação do corpo pela educação; habitus é a incorporação dos princípios de visão e de divisão do campo, engendrando práticas ajustadas à ordem desse campo); corpo e princípio; posição e disposição; posição e tomada de posição; mundo e agente; história objetivada e história atuante; corpo e agente; estruturas objetivas e estruturas cognitivas; coisa e corpo. Esses pares de duplos não são regidos pela oposição. E até mesmo a idéia de concorrência, predominante nos jogos sociais, o que dá uma aparência de oposição e disputa, tem o fundo do consenso em razão das regras aceitas de comum acordo pelos competidores.

O que provoca a diferença de posições e, consequentemente, das disposições é a distribuição desigual do capital e o ato de violência original à essa implantação. A diferença pois de Bourdieu em relação aos irracionalistas, está no fato de que sua crítica à razão estar centrada na forma desigual de sua distribuição. O seu conceito de REALPOLITIK seria de uma auto-regulação que se daria no transcorrer do jogo, visando a universalização da razão, ao invés da uma defesa formal feita pelo humanismo.

Ao chamarmos a atenção para o par de duplos, estamos pondo em foco a estratégia de Bourdieu para fugir ao perigoso jogo dos contrários.É como se a sua negação aos possíveis de seu campo investigativo, não o levassem ao impossível, isto é, para fora do campo. São os limites da invenção, da qual, o indivíduo não seria o único responsável, o que acarreta todo um questionamento ao conceito de gênio ou ao conceito de dom: ambos naturalizando o que foi construído ou conseguido por arbítrio – naturalizar e recalcar são aqui sinônimos.

Mas no par de duplos, em Bourdieu, um elemento tem primazia. Sua perspectiva crítica em relação a Foucault e Nietzsche é em função da especificidade dos campos, impedindo que o jogo transcorrido no interior de cada um deles esteja reduzido sempre ao jogo de domínio e ao contingente. Fugindo a esse relativismo do aleatório, Bourdieu sublinha a regra como pano de fundo dos campos científicos: a concorrência regrada, conferindo plena eficácia aos mecanismos de universalização.

Por outro lado, existe uma margem de liberdade em seu pensamento que o faz distante do pessimismo. Bourdieu não acredita tanto na eficácia dos aparelhos ideológicos de Estado: o que fundamenta uma relação de domínio é principalmente o investimento do dominado. De pouco adiantará a mudança de Poder, se os habitus dos indivíduos estiverem ligados ao outro esquema distributivo. O tempo se torna fundamental nesse caso para que aos poucos (nunca é instantâneo) o Poder possa produzir mudanças no sistema de disposições. Em todo caso, o fundamento da ação ou da relação de domínio não está na coerção externa, e sim no interior de cada corpo, enquanto habitus.

De qualquer maneira, me parece que existe uma primazia. As regras no interior de um campo ou o habitus no interior de cada corpo?

No texto “Como ler um Autor?”, é ensaiada uma resposta em sua crítica à posição de “lector”, o qual estuda o seu objeto de interesse, desistorizando-o e permanecendo-lhe exterior. Bourdieu retira em Baudelaire a linha mestra de seu pensamento. Em seu primeiro artigo sobre a Exposição Universal de 1855, Baudelaire diz:

“ Eles (os viajantes solitários, diante de um produto chinês estranho, bizarro, cheio de arabescos, de colorido intenso e por vezes tão delicado a ponto de sumir) não permitem que nenhuma utopia pedagógica se interponha. Eles conhecem o inevitável nexo entre a forma e a função. Eles não criticam: contemplam, estudam. Se, em vez de um pedagogo, eu escolho um homem mundano, um inteligente, e o transporto para um lugar longínquo, estou certo de que, uma vez superados os espantos no desembarque, e tão logo estivesse estabilizado o hábito, com maior ou menos afinco, não tardaria uma simpatia tão intensa, tão penetrante, capaz de criar nele um mundo novo de idéias, que fará parte integrante de si, e que o acompanhará, sob a forma de lembranças, até a morte. Essas formas de construção, que de início contrariavam seu olho acadêmico, todo esse mundo de harmonias novas penetrará vagarosamente nele, penetrará com paciência...”

Esse processo é o mesmo que se dá diante da reativação de um objeto histórico, em razão da historicidade do Ser. O interesse que o historiador tem, será sempre em função do presente, em função do jogo e dos móveis constitutivos de um campo. Mas essa reativação, que tem, portanto, relação com o presente, quem operaliza é o agente. O par de duplos, coisa e corpo, estrutura e habitus, evidentemente apresentam uma cumplicidade, ao invés da relação de oposição. Ainda assim, a cumplicidade não apaga as diferenças dos agentes, dotados de um domínio desigual das forças de produção legadas pelas gerações anteriores.

Mas o estudo sobre Baudelaire indica algo mais. Pode haver diferença entre os agentes em relação a uma desigualdade de distribuição, mas pode haver diferença também pela ação original e imprevista do agente: um rearranjo das possibilidades do campo, provocando-se rupturas heróicas, de vida ou morte. Foi o caso de Baudelaire. O “impossível possível” é estruturalmente excluído do campo de possibilidades. Mas ao mesmo tempo, ele é acalentado por esse espaço, como vazio, falta. O trabalho de Baudelaire será justamente fazê-lo existir.

Portanto, o habitus não é algo fechado, ainda que suas mudanças não sejam instantâneas. A importância do corpo em Baudelaire, vem justamente daí: ao contrário da erudição, em que o objeto de conhecimento permanece exterior ao sujeito, busca-se fazê-lo afetar o sujeito, penetrar-lhe as entranhas, modificar sua vida.

Essa junção entre sujeito e objeto, não se dará, no caso dos estudos literários, fazendo do clássico, sobre o qual debruçamos, um nosso contemporâneo. Ainda que seja o presente e suas lutas a motivação que nos leva até ele, e sempre será assim, há que se evitar essa espécie de assassinato. Ao invés da banalização, via comentário, que necessariamente neutraliza toda a singularidade do objeto, cumpriria, segundo Bourdieu, ressucitar seu modus-operanti. E para tanto, haveria que se chegar ao momento inaugural, aquele em que o referido objeto de estudo nasce, dentro de seu campo de possibilidades reconstruído por nós. A leitura criativa, a de autor, se daria de forma que se pudesse dispor dos meios de participar do espaço de possibilidades artísticas propostas pelo campo no momento em que o nosso objeto de estudo, no caso, Baudelaire, estivesse a trabalhar.

Essa é a idéia de reativar a história: trazê-la para os dias de hoje, não como múmia paralítica, mas em sua singularidade prática, penetrando-se assim na intenção profunda do autor estudado. Somente assim, o sujeito do conhecimento seria afetado, criando um novo espaço correspondente dentro de seu campo de possibilidades.

II

Essa primazia do habitus em relação à posição no espaço, é na verdade a primazia das reações práticas a esse espaço, duplamente informadas pela estrutura do espaço e pela estrutura dos esquemas de percepção.

O habitus, portanto, tem esse duplo aspecto: o espaço e a percepção. Ou seja, é duplamente informado por eles. Mas é no aspecto da percepção que vão ocorrer as lutas entre pontos de vistas diferentes, visando impor uma representação do espaço, um princípio de visão e divisão diferente. Daí porque o habitus tem a ver com princípios de divisão, e as disposições com as maneiras de Ser resultantes da modificação dos corpos. Os esquemas de percepção têm portanto a primazia em relação ao espaço, ainda que a princípio seja um produto deste, assim como não se confundirão com a explicitação (estado de opinião constituída): “tais pontos de vistas não são necessariamente representações, tomadas de posição explícitas, verbais” (pág. 224). Essas lutas de pontos de vistas diferentes são primeiramente lutas simbólicas, práticas, E enquanto pontos de vistas, poderão estar sujeitos a desvios em mãos de porta-vozes.

O mérito de Baudelaire ao inventar uma “posição impossível” foi justamente seu modus-operanti e o esquema perceptivo que, com o tempo, se impôs aos demais. Através de uma combinação inédita entre poesia pura, via Gautier, e aberta ao mundo, como em Máxime du Camp, ele juntava coisas inadmissíveis para a época. Ao mesmo tempo, em ressonância aos campos específicos da modernidade, era contra restituir a linguagem específica da pintura por meios alheios à ela – com isso, também implementando a idéia da poesia autônoma aos outros campos. À essa ruptura teórica, se sucedia uma outra prática: “Baudelaire não só fala de arte, ele vive o personagem” (tão diferente da leitura desinteressada de lector).

III

Bourdieu incorporou, num uso prático, Baudelaire, para inventar um novo espaço nas ciências sociais: entre o mecanicismo com suas coerções, e o idealismo construtivista (a epistemologia), criou o conceito de habitus, que não é nem condições econômicas, nem a consciência ou razão raciocinante. É antes o princípio de divisão incorporado através da illusio (crença). Ainda assim, por mais que no corpo esteja incorporado as relações de Poder, tornando-se portanto uma dimensão coletiva, o esquema perceptivo que alimenta o habitus, assim como a distribuição desigual no espaço, favorecem o jogo ou a História como transcendência de um mundo em aberto, aniquilando qualquer fundamento.

Entre a reflexividade e a estratégia, a primeira ligada ao uso da razão voltada contra o próprio sujeito do conhecimento, e a segunda, à ação prática do sujeito visando sua satisfação numa determinada configuração de Poder, acredito que, apesar de serem ambas formas válidas de conhecimento, acarretando o caráter duplo da verdade, Bourdieu privilegie a segunda. Ainda assim, o seu realismo o situa numa posição eqüidistante entre Pascal e os escolásticos, extraindo de ambos as contribuições necessárias para um pensamento original.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

FORA DO EIXO VASELINA GIL

Gilberto Vaselina Gil
Cláudio Prado Vaselina Gil
Alex Antunes Vaselina Gil
Fora do Eixo Vaselina Gil

Skylab/2010

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

O FLUMINENSE PERTO DO TÍTULO



Acredito na história de um clube. Principalmente hoje em dia, com o rodízio de jogadores e técnicos. Perde-se a fidelidade, tudo passa a ser negócio, mas algo se perdura: é o clube e sua história.

No Rio de Janeiro, por exemplo, o América Futebol Clube desce ladeira abaixo. Mas os torcedores se mantém fiéis. Infelizmente alguns clubes desaparecem. Alguém se lembra do Canto do Rio? O desaparecimento é triste porque é o apagamento de uma história. E muitas vezes, irreversível.

Tudo isso vem a propósito porque o Brasileirao entra na reta final e anuncia como forte candidado ao título o time mais tradicional do Rio de Janeiro e do Brasil. Esse campeonato que traz o Grêmio Prudente como antítese do Flu (um time não se faz da noite pro dia, muito menos um clube), chega ao seu final, faltando apenas duas rodadas. Muitos criticam o critério de pontos corridos. É como a Democracia: não é perfeita mas é a menos pior. Num campeonato longo como esse, o atual critério premia o time mais equilibrado. Não dá vazão a acidentes da sorte como a copa do mundo. E nem por isso perde a emoção: três times disputam pau a pau o título.

Mas a possibilidade do FLU ganhar o Brasileirão é grande: só depende dele. Desde 1984, quando faturamos o Campeonato Brasileiro, com Washington, Assis e Romerito, temos percorrido um longo caminho. E tudo isso se computa: é a história de um clube. A mancha negra das viradas de mesa da CBF – em 1997 e 2000 (quem quiser dar uma sacada nas grandes viradas de mesa, ver http://blogdobirner.virgula.uol.com.br/2008/03/28/os-times-beneficiados-pelas-viradas-de-mesa/) também se computa. Ainda que seja ingênuo criticar o clube por ter se beneficiado de um sistema que preponderava no futebol brasileiro.
Tudo isso se computa.
É a história de um clube, suas idiossincrasias, tragédias e glórias. O título do Flu em cima do Fla com gol de barriga de Renato no finalzinho (campeonato carioca de 1995); a queda para a terceira divisão no final de 1998; o memorável gol de Wilton em 1968, contra o mesmo Flamengo (Samarone lança para o baixinho que, totalmente em impedimento, tira o goleiro Marco Aurélio da jogada com um toque de mão discarado, fazendo o único gol da partida – é a mancha negra na biografia do nosso maior árbitro, Armando Marques). Esse mesmo FLU que protagonizou em 1963 com seu eterno rival, o jogo de maior público, entre dois clubes, de todos os tempos (eu tentei ir de arquibancada com meu pai e acabei assistindo ao jogo de geral porque não tinha mais lugar). É tudo história.

Tudo isso, como diz Lamartine Babo, é as três cores que traduzem tradição. O que não se faz da noite pro dia. Mas foi no final do século XX que vivemos nossa história mais negra. Toda a primeira década de 2000 foi um longo processo de reestruturação até chegarmos ao título da Copa do Brasil em 2007. Antes disso, em 2002 e 2005, chegamos a faturar o campeonato carioca, que esteve sob o comando, na Federação de Futebol, do Caixa D’Água Eduardo Viana, de péssimas lembranças. Nunca o futebol carioca foi tão mal representado. Basta ver com quem disputamos a final: em 2002 com o Americano – olha o Caixa D’Água aí !!!! – e em 2005 com o Volta Redonda. Mas foi a Copa do Brasil que credenciou o Flu a jogar em 2008 a Libertadores. E aí eu começo a ouvir ecos do presente. A história é sempre acumulativa. Esse Flu de Thiago Silva, Thiago Neves, Arouca, Conca e Washington se credencia a disputar a final da Libertadores com o LDU através de uma campanha impecável, chegando a superar Boca Juniors e São Paulo. E o espetáculo dessa final, tendo como protagonista a torcida tricolor, esbarrou na disputa de penaltis. Nunca o título esteve tão perto e nunca a rebordosa foi tão grande. Foi alto o custo mas conseguimos ainda no brasileirão uma vaga para a sul americana. Em 2009, entre dois torneios, fomos caindo no brasileirão. E quando tentamos nos reerguer... Novamente protagonizamos a história e até hoje se discute a espetacular reação para não cair. Sem contar com a derrota novamente pro LDU no final da sul americana por saldo de gols.

A história é acumulativa. As coisas não vêm do nada. Pode acontecer de um clube formar um super time meio ao acaso. Da noite pro dia. E ganhar o campeonato. Mas isso não credencia o clube a ganhar o próximo. É um brilho falso que não vem com a história.

O Fluminense de hoje está maduro para o título, mas foi preciso viver todo o seu drama. Só quem é tricolor carioca sabe o que estou a dizer. Podemos inclusive não ganhar nada, tropeçarmos no Palmeiras ou no Guarani, e ainda assim a história do clube não será apagada.

Fico muito cauteloso em responsabilizar alguém pelo estado atual do Flu, justamente porque a história é mais importante. Mas eu queria aqui lembrar um nome. Não é um nome obvio como o de Conca, disparado o melhor jogador do campeonato (cheguei a ouvir de um jornalista, que estava em dúvida entre Montillo e Conca; basta fazermos uma retrospectiva de todos os jogos e não restará mais dúvida). Também não é o nome de nenhuma estrela porque as estrelas estiveram machucadas a maior parte do campeonato (o FLU só está nessa posição privilegiada em razão dos operários; e isso sempre me preocupou, porque se viéssemos a comparar elenco em atividade, o Flu perderia longe para Corínthians, Santos, Cruzeiro e Internacional). Reconheço que, no meu último post sobre o Flu, mostrei impaciência com esses operários, ainda que reconhecesse a diretoria como a grande vilã, fazendo contratações midiáticas e de pouca eficiência.

Mas é a Washington que quero dedicar esse meu texto. Nunca ninguém mereceu tanto esse título - sua participação na Libertadores, lá atrás, foi fundamental. Lamentei sua ida para o São Paulo. Não acho que ele tenha brilhado tanto lá quanto no Flu, o time que fez mais gols em toda sua carreira. E ele não é a essência do Flu. Acredito até que na Ponte Preta e no Atlético Paranaense tenha se identificado mais. Teve problemas cardíacos, viveu seu drama particular, superou, foi artilheiro do campeonato brasileiro em 2004 pelo Atlético Paranaense, está em fim de carreira, mas é impressionante sua regularidade. Assim como Conca, raramente se machuca. Luta os noventa minutos, perde gols, se arrebenta em campo e é sempre uma preocupação para a defesa adversária. Mas não tem feito gols e esse é o seu maior paradoxo: um artilheiro sem gols.

Eu não o tiraria de campo após ter perdido escandalosamente um gol contra o São Paulo. Fred também perdeu. Murici nessa hora não teve tato, ainda que tenha pensado em protegê-lo. Mesmo sem gols, e lutando sempre pelo time, Washington faz parte de uma história que deve ser preservada e é a síntese do que tem sido os operários tricolores.

domingo, 21 de novembro de 2010

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

FEIRA MÚSICA BRASIL

Parabéns aos escolhidos para a Feira Música Brasil 2010, que vai rolar em dezembro na cidade de Belo Horizonte (MG).
http://www.feiramusicabrasil.com.br/noticias/saiba-quem-sobe-no-palco-da-fmb2010/
Eu concorri e perdi.
Nunca tive sorte com editais, concursos, prêmios e coisas afins.
Se essas coisas servissem de estímulo, eu deveria já ter largado a música há muito tempo.
Algumas pessoas reclamam que faço pouco shows.
Eu até tento. E confesso que guardava alguma esperança nesse edital
A verdade é que se eu tivesse mais sorte, ou mais talento, talvez não fosse o que sou e a minha música não seria o que é.
A propósito, um poema que consta do meu livro "Debaixo das Rodas de um Automóvel":

POESIA

Você não vai ganhar concurso algum.
Ninguém lembrará seu nome.
Passados os anos, bem velhinho,
você se lembrará: da esperança -

esse monstro de sete cabeças;
o esforço empreendido sem êxito
(porque não há dúvidas:
você buscava o reconhecimento);

e você se lembrará sobretudo
daqueles raros momentos
em que te vinha a intuição

de que nada te aconteceria -
e ainda assim você escrevia.
Estranho: principalmente aí você escrevia.

Skylab/"Debaixo das Rodas de um Automóvel" pag. 131

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Mucuripe - Fagner



Completo aqui a trilogia das minhas músicas bregas.
Além disso, são líricas e poéticas. Pra não dizer patéticas. E quase patetas.
Fazem parte da minha formação: Silvio Cesar, Taiguara e Fagner.
Sem compreender isso, não se compreende Skylab.
Quis resgatar esse solo subterrâneo, esse fundo inconsciente, de onde brotam as minhas canções mais ordinárias.
Essa gravação faz parte do disco "Manera, Fru Fru, Manera" - a única coisa interessante que Fagner produziu. Cheguei a cantá-la em alguns shows, mas isso faz muito tempo.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Taiguara - Piano e Viola (1972)



Em "Noites tropicais", Nelson Motta mete o pau nele. Mas quando tinha 15 anos, eu o amava. Cheguei inclusive a pesquisar seu endereço e falei com o pai dele, Ubirajara, por telefone. Segundo o pai, muito desconfiado, Taiguara estava vivendo em Londres. Perguntei entao se podia remeter a ele uma carta... se a carta chegaria até o seu filho. Ele disse que sim. O pai morava no Leblon. A carta era de amor. Anos mais tarde, o encontrei num baile de carnaval no Sírio Libanes. Mas não sentia mais nada por ele. Nessa época, já estava sumido, não tocava mais em rádio. Fiz uma revisão: passei a achá-lo extremamente brega. Anos mais tarde, o encontrei no metrô. Estava feio, acabado. Era ligado ao partido comunista. Ouvindo hoje as suas músicas, me pergunto aonde estava com a cabeça para ter gostado tanto dele. Esse disco eu ainda guardo comigo.
De qualquer maneira, Nelson Motta tá errado. Nelson Motta tá sempre errado. Taiguara é um Deus.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

DISCOGRAFIA COMPLETA - SKYLAB

Para quem não faz questão de ter o disco original e autografado, estou passando o link onde todos os meus discos poderão ser baixados (os da série e também os "fora de série"). Bom proveito.
http://www.fenixmp3.net/?s=rogerio+skylab

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

terça-feira, 2 de novembro de 2010

skylab's Playlist

Enquanto fecho o SKYLAB X, último disco da série e que tem data de lançamento para março de 2011 (já foi mixado e está sendo agora masterizado), estou disponibilizando dois discos virtuais: o "Rogerio Skylab & Orquestra Zefilipe" e "SKYGIRLS" (diferentemente da série dos skylabs, esses dois discos foram produzidos com o intuito de serem apenas virtuais). Ainda que se diferenciem, inclusive esteticamente, dos discos da série, gosto muito de ambos, especiamente do SKYGIRLS.
skylab's Playlist