quinta-feira, 28 de abril de 2011

O FALECIMENTO DE ROGERIO SKYLAB



Ninguém é cadáver porque quer.

E mesmo o desejo não é condição suficiente para sê-lo.

Requer-se mau cheiro e desnutrição.

Mas se fosse isso, mendigos e miseráveis o seriam. E não é o caso: mendigos e miseráveis, muitas vezes, são produtos de um sistema de exclusão. Outras vezes, nem isso: fazem parte do imenso contingente, vítimas de transtornos mentais. Mas são coisas vivas diante do nosso olhar estupefato. Eles existem. É a nossa culpa.

O cadáver não.

Somos indiferentes a essa classe de pessoas excêntricas.

Eles têm o dom da invisibilidade e vivem como pessoas comuns: tomam o trem, fazem supermercado, vão ao cinema. Não é fácil reconhecê-los porque o disfarce é o seu maior dom. Mas eles vivem ao nosso redor e dariam tudo pra abandonar essa condição que os tornam invisíveis.

Conheci um. Chamava-se Rogério Skylab.

Tive a sorte de conhecê-lo porque éramos amigos. Não fosse isso, passar-me-ia despercebido. Estudávamos juntos no Colégio de Aplicação Fernando Rodrigues da Silveira e Rogério fazia parte de meu grupo de estudos. Explico: o colégio adotava os métodos pedagógicos tão em voga na época, e, ao invés de carteiras individuais, sentávamos em mesa, com capacidade para cinco pessoas. Dessa forma, a turma se dividia em grupos.

Rogério era quieto, pálido e muito magrinho. Participava pouco das aulas, o que interferia negativamente em seu boletim. Quando falava ao professor, era puro ato de desespero, e suas perguntas eram obvias e redundantes. Via-se, de sua parte, o descomunal esforço em sair de uma condição que lhe era própria, como um peixe que pulasse fora d’água.

Certa feita, perguntou algo à professora de inglês, e lembro-me de sua resposta:
- meu filho, você acaba de me perguntar o que acabei de falar com as mesmas palavras!

Nessas ocasiões, lhe fluía o sangue às faces. Com o tempo, essas reações foram diminuindo por uma questão de autodomínio. Mas pude testemunhar como ficava constrangido, o que me faz pensar que nessa época, ao menos, havia nele ainda algum sopro de vida.

A música lhe veio tarde. E nem isso foi suficiente para afugentar a sua sombra cadavérica. Ao menos terá servido para experimentar, diante da platéia atenta a seus movimentos no palco, a sensação de estar vivo. Mas essas ocasiões foram raras – fazia pouquíssimos shows e, à medida que o tempo passava, seu público diminuía a olhos vistos.

Hoje, dia 28 de abril, foi encontrado morto. A polícia suspeita de suicídio, mas ainda não chegou a nenhuma conclusão e o caso permanece em aberto. Não pude imaginar que viria a reencontrá-lo naquelas condições: a boca semiaberta, os dois olhos surpreendentemente abertos, e de cueca olhando para o teto. No chão, o Segundo Caderno do jornal O Globo trazia estampada a reportagem sobre a nova música brasileira.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

ENTREVISTA COMPLETA - ROGERIO SKYLAB E SERGUEI

Aí vai a entrevista completa com Serguei.
Parabéns ao Multishow e à equipe de produção do programa.
Ficou bem bacana.
Tem muitas coisas aí pra se pensar.

sábado, 23 de abril de 2011

Alcir Pécora, I love you

Com a palavra, Alcir Pécora:

“Poucos autores de literatura contemporânea me dão mais vontade de ler do que teóricos tão diferentes entre si como Rorty, Davidson, Cavell, Agamben, Renato Barilli, Perniola, Soloterdijk, Jonathan Lear, Blanchot, Magris, Martha Nussbaum, Boris Groys... Há muita gente pensando o contemporâneo e pensando a Literatura. Fico imaginando se essa não será uma forma de literatura disfarçada. Uma nova máscara da literatura... me parecem mais radicais como invenção ficcional do que a narrativa dos tantos escritores mais ou menos conformados no esquema da prosa realista do século XIX”.

“A Hipótese da Crise”, Jornal O Globo, Prosa e Verso, 23/04/2011

sexta-feira, 22 de abril de 2011

O AMOR CHEGA TARDE


O “Amor chega tarde”, atualmente em cartaz, escrito e dirigido pelo alemão Jan Schutte , lançado originalmente em 2007, e tendo no papel principal Otto Tausig como Max Khol, começa num sonho e acaba numa justaposição entre o real e a ficção (o texto). Esses três elementos se articulam para retratar Isaac Bashevis Singer, escritor de origem judaica, nascido na Polônia, e que escolheu mais tarde os EUA como segundo lar.

A passagem que o personagem empreende do real para o sonho e deste para a ficção, pode ser acompanhada pelos sucessivos tratamentos concedidos à morte: no sonho, quando se torna testemunho de um assassinato; no real, quando lhe é comunicada a morte de um hóspede, vizinho ao seu quarto de hotel; e na ficção (seu conto lido para um auditório), quando lhe é comunicado o suicídio da vizinha por quem se apaixonara.

O filme, a ficção de uma ficção, termina justo no momento em que o escritor complementa no trem a ficção lida anteriormente no auditório. Ele acrescenta ao texto o encontro do personagem principal do conto com a filha da suicida, comunicando-lhe a morte da mãe. Seus contos terminam sempre em morte, como já lhe havia observado sua antiga aluna, que lhe sugere deixá-los em aberto.

O filme, então, atendendo a sugestão, faz adentrar ao trem a jovem leitora que lhe havia pedido antes um autógrafo – naquela ocasião, ela lhe informa estar indo em viagem ao mesmo local onde na ficção, escrita depois, a filha da suicida se localiza.

Se a ficção do escritor tem como fonte o real, a cena final do filme inverte esse processo e faz o real repetir a ficção (Jorge Luis Borges?). Repetir o complemento que ele imprime ao texto original, só que, desta vez, ambos estando no trem. E nesse instante, ainda que na ficção ele fale sobre o inelutável da morte, estamos é diante da vida e suas possibilidades em aberto.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

JORNAL DO SKYLAB

PRIMEIRA EDIÇÃO

"Sem Pé nem Cabeça" - trabalho de Solange Venturi





EDITORIAL – SEGURA NO PAUZINHO – DE VOLTA PARA CASA – ATUALIDADES – OS PARLAPATÕES – O ESTRANGEIRO


EDITORIAL
A sátira ou o paradoxo?

O primeiro número do “Jornal do Skylab” vem à público para saber, junto a seu público, qual das opções lhe é mais cara (não vale dizer as duas, se não, perde a graça). Cada número vai trazer à baila um assunto, diante do qual, queremos saber sua opinião.

A sátira é filha do cinismo, começa com Gregório, perpassa Machado, deságua no modernismo, via Oswald, chega nos concretos, para depois desembocar em Leminski, Caetano e seus herdeiros. É, sobretudo, política. E até o experimentalismo primitivo (Zumbi do Mato) bebe em sua fonte.

O paradoxo complica. Porque abandona a luta de poder e deixa de ser cínico. Torna-se ambíguo. Desaparece o riso, surge o estranhamento. O texto, agora enigmático, faz com que o autor, incapaz de responder por ele, fique em silêncio: transforma-se num anti-Lobão e num anti-Caetano. Foge das frases de efeito e não considera Chimbinha nem a axé-music forças da natureza. Tutaméia é seu livro de cabeceira.

Num ponto concordam: tanto o autor paradoxal, quanto o satírico, abominam o bom- mocismo do chorinho universitário. – Guinga, Moacir Luz e Cia Ltda são chatos pra caralho. – Quem gosta de raiz é índio. Foi assim como deram por encerrada a discussão: a sátira e o paradoxo reconciliados e num abraço efusivo.


SEGURA NO PAUZINHO
Já me aconteceu duas vezes: fui a um restaurante japonês e a garota não sabia segurar no pauzinho. Uma garota que não sabe segurar no pauzinho deve morrer. Seu mau jeito se espalha pra todos os lados. É tiro e queda: não sabe cozinhar, não sabe fazer amor, resiste às novidades, é burra, chata e deprimida. Um encosto. Uma garota que não sabe segurar no pauzinho devia ter vergonha e entender que uma vida como a sua devia ser mais breve que as demais.


DE VOLTA PRA CASA
Nasceu-me um câncer no cu. A descoberta foi feita em meio aos exames periódicos a que se submetem os funcionários do Banco do Brasil. A metástase foi detectada em fase adiantada, através de radiografia, e foi-me indicada cirurgia.

O procedimento requeria urgência. Apesar dos esforços empreendidos pela equipe médica do Hospital São Vicente de Paulo, especialmente na pessoa do médico-cirurgião Dr. Edgard de Paula Neves, o estado avançado da doença impediu as providências que se faziam necessárias, tais como a extração de parte considerável do intestino, de modo a debelar o avanço da doença.

Fui recosturado e posto de volta pra casa.


ATUALIDADES
Um modo eficiente de ver televisão, ao qual vem aderindo um número cada vez maior de pessoas do sexo feminino, é através do controle remoto introduzido à vagina.

A descoberta foi patenteada pelo músico e escritor Rogério Skylab. Segundo o inventor, a televisão, hoje em dia, cumpre um papel secundário. Em sendo assim, faz-se necessário a libertação das mãos, ou de uma delas, a fim de que possamos reutilizá-las em outros afazeres concomitantes ao uso da TV. Vivemos a era da simultaneidade. A internet, neste sentido, mostra avanços: podemos ver a tela, teclar com uma das mãos, e com a outra tocar uma siririca. O uso do controle remoto, porém, subjulga uma das mãos, a não ser que nos sujeitemos ao monopólio de uma emissora. A nova descoberta, segundo seu inventor, insere a TV nos quadros da atualidade, que requer variação e simultaneidade, trazendo-lhe um novo alento. “A cada compressão dos músculos vaginais, muda-se de emissora”, afirma Rogério. À nova mulher, o mundo torna-se mais plástico, sensível, democrático e auto-suficiente, sem que seja necessário recorrer ao dedinho. As mãos, finalmente livres, podem fazer outros usos, tais como, digitar o computador, manipular os mamilos, tirar meleca, escrever merda, jogar porrinha, usar o celularm e, principalmente, aumentar o prazer das zonas erógenas, através do dedo no cu por exemplo.

Falta, segundo o inventor, direcionar o uso do controle remoto para o sexo masculino também. Mas, segundo ele, muitos avanços terão que ser obtidos ainda neste setor, sendo o preconceito seu maior entrave.


OS PARLAPATÕES
Caetano Veloso, Hermano Viana, e, José Miguel Wisnik foram flagrados por um paparazzo fazendo ménage à trois sem pau. O filme traz ainda as participações de Regina Cazé e da cantora Clara Becker. A trilha sonora fica a cargo da banda Kassin+2e Do Amor.
Machado, mestre dos mestres, orientou algumas passagens do texto em reuniões semanais no Parque Lage.
Enfim, tutto tra amici.


O ESTRANGEIRO
Esse samba vai pra Marcelo Mirisola, Jair Bolsonaro e Mario Bortolotto:
o rei é mais bonito nu

sábado, 9 de abril de 2011

QUATRO GAROTOS

"Essa arte de ser garoto até morrer"


Num tempo em que as pessoas andam entorpecidas, com ou sem droga (a música “Eu to Sempre Dopado” chama a atenção para esse fato), é consolador nos darmos conta de que ainda existem meia-dúzia de malucos que insistem ir na contramão. São focos de resistência.

Nelson Cerqueira, irmão do DJ Edinho, é um deles. Nunca fui seu amigo até porque não sou afeito às amizades. Conhecemo-nos de vista desde a época do Doctor Smith, uma casa noturna localizada na Rua da Passagem (hoje, funciona no lugar uma oficina mecânica).
Nelsinho tocava na banda “Congo”, de saudosa memória. Cheguei a assistir alguns shows da banda, tendo, inclusive, certa feita, me deslocado de ônibus até Santa Teresa, num clube de nome “Cachoeirinha”, para assisti-los ao vivo. Uma proeza. Não a banda, que era ruim, mas eu ir até Santa Teresa.
Volta e meia me cruzo com ele. E é a mesma alegria de sempre. Nelsinho é o cara que eu queria ter sempre por perto. Nem que fosse num clube noturno pra trocar três palavras.


Rodrigo Brandão é outro exemplo. Filho do grande guitarrista Arnaldo Brandão, impossível não se simpatizar com a figura. Somos distantes e só conversamos raras vezes. Mas foi suficiente para enxergar nele esse entusiasmo, hoje em dia tão em baixa. Principalmente se o assunto for música. Aí sai de baixo. Pessoas apaixonadas por música são especiais: os olhos vibram, vociferam, sai fogo pelas ventas. Lembro de um show na Casa Alice, antigo puteiro das Laranjeiras. Um dia antes do show, fomos bater fotos, e todas as bandas que iam tocar estavam presentes. Nunca mais vou esquecer o entusiasmo com que Rodrigo conversava com Vidal, vocalista de outra banda. Falavam de música, claro, À distância, via-se nele a velha chama.
Rodrigo formou com a mulher, a belíssima Bianca Jhordão, a banda “Leela”. Chegamos a tocar juntos uma música do Chico Buarque, Derradeira Estação, dentro do projeto “Tributo ao Inédito”. A banda é sofrível, mas Rodrigo é o cara. Queria tê-lo por perto. Ao menos para discorrermos sobre seu assunto preferido e assim absorver um pouco de sua intensidade.


Chuck e o seu “Big Áudio” é a prova inconteste de que a MTV não está morta. Cruzei com ele, uma certa vez, em Londrina. Estávamos no mesmo festival – o “Demo Sul”. Sua banda... um cocô. Mas isso não importa. Chuck apresentando o “Big Áudio” me traz o entusiasmo que perdi com o tempo. Aliás, a MTV parece corrigir a rota que vinha tomando, disposta agora a investir mais em programas sobre música. Aleluia.
Chuck é mais um garoto que ama a música. Irônico, debochado, agressivo... tudo que vem fazendo falta à música brasileira ultimamente. Um sopro de vida. Quando fala, a gente visualiza um riso sardônico por trás das palavras – um riso constante. De quem faz o que gosta. Daí porque vou dormir tarde todo dia.


“Na Brasa” é outro programa que a MTV vem nos brindando. Dessa vez, com China. Mais um garoto que me encanta. Não o conheço pessoalmente, sua antiga banda “Sheik Tosado” era meia boca, partiu para uma carreira solo mais meia boca ainda, montou com Mombojó o “Del Rey” pra lembrar o rei desdentado... mas é uma simpatia. Que garoto, meu Deus. Falando com a audiência por telefone dá show. Não sei se é o sotaque nordestino, não sei se é a gíria da jovem guarda cheia de graça na sua boca..., a verdade é que a MTV acertou. Alguém falando de música brasileira contemporânea, independentemente de gêneros, já é bola dentro. Com o China então...


Enfim, são quatro garotos, só quatro garotos. E essa arte de ser garoto até morrer.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

NOEL ROSA

Seu Ari tocava violão.
Tinha 62 anos e vivia com a mãe
entre a vida e a morte.
Um dia Seu Ari me chamou.

Quis me ensinar violão.
Eu tinha 12 anos.
Jogava bola de gude e botão.
Seu Ari era grande, barrigudo ...

Tocou Noel Rosa e eu fiquei embevecido.
Depois abriu minha braguilha
e ficou com meu piruzinho na mão.

Seu Ari com aquele vozeirão.
Me deu um abraço forte
e eu falei: O seu Ari, toca mais Noel Rosa.

sábado, 2 de abril de 2011

A TERRA PROMETIDA


Madame Funérea foi a responsável. E me vi levado até o bairro do Maracanã em busca da Terra Prometida, que se conhecia pelo estranho nome de “Mitsuba”. Em japonês, o nome se remete a uma erva comestível, usada como tempero.

É sempre alguém que dá a dica. No caso, além do boca-a-boca, havia também a indicação da imprensa. Não íamos às cegas.

A “Terra Prometida” se localiza nas imediações do Colégio Militar e é comandada pelo sushiman Eduardo Nakahara. Restaurante japonês é como igreja evangélica: se reproduz em quantidade e hoje faz parte integrante da cidade.

Pequeno e em dois pavimentos, não chamou a atenção, embora contasse com uma tropa de garçons injustificável pelo tamanho do lugar. Dos males, o menor: super atenciosos, o serviço foi impecável.

Diga-me como é o banheiro que te direi onde estás – foi o que tacitamente pensei, caro leitor, ao subir as escadas e adentrar ao toalete. E a sensação era de algo muito aquém da Terra Prometida.

Quanto à “amuse bouche”, a sensação era a mesma: estávamos há léguas de distância. A baixíssima temperatura confirmava a opinião e tudo caminhava para o malogro, não fosse a cortesia da casa: o brûlé-shake ( dupla de salmão levemente grelhada, com molho especial e flor de sal) de dar àgua na boca.

A vida é feita de desvios e não recomendável aos fracos de espírito. Madame Funérea confirmou suas suspeitas: quem vê cara não vê coração. E fomos brindados, em seguida, pelo “Sushi Mitsuba”, com 36 peças variadas e escolhidas pela casa. Um primor.

Das referidas peças, os destaques vão para o Ika-geso (perna de lula), e, o Iwashi (sardinha), raramente encontrados em outros cardápios. A raiz-forte, mais pronunciada que de costume, e a pouca quantidade de arroz em cada unidade, sublinharam o frescor dos peixes.

A boa etiqueta recomenda comer devagar. Fosse pela fome ou pelo bom sabor das iguarias, comemos num piscar de olhos. E em poucos minutos, a barca estava vazia, irremediavelmente vazia.

Não demos tempo ao tempo e partimos então para algo quente: o Ketsu Roll (salmão, nirá, camarão e cream cheese empanado à milanesa) e o Hot Philadelphia (empanado com salmão, kanikama, cream cheese e maionese). Desnecessário: o peixe morre pela boca (comemos melhores).

Ao sairmos do Mitsuba, desci a São Francisco Xavier até o metrô. Pensava no quanto há de superstição e farisaísmo na Terra Prometida. A vida é feita de desvios e acasos. A conta não ficou barata e no cômpito geral, entre prós e contras, ficou o zero.

Madame Funérea foi quem sugeriu alguns posts sobre o assunto.

Esse blog é um imbróglio. E aqui estou eu tecendo sobre o vazio. É tudo variável segundo o ponto-de-vista, a fome e a cultura. Para minha companheira, tudo terá sido bom e valido a pena.

Será?


Restaurante Mitsuba - Rua São Francisco Xavier, 170 - Tijuca - Rio (RJ)