O pior que pode acontecer a um grande artista é ficar confinado num gueto; cercarem-no por ciúmes e o excluírem dos demais; e dessa forma, esses, que preservam seu talento num círculo fechado, passam a se sentir também excluídos; excluem-no para se excluírem, impedindo assim o sonho do artista: fazer-se conhecer, tornar-se público.
Pode também acontecer que, por serem excluídos, queiram excluí-lo; e dessa forma, transformá-lo numa propriedade privada do grupo.
Essa é a maior traição que podem cometer contra o grande artista. E ninguém melhor do que seus "amigos" em vida, aqueles que usufruíram de sua presença, para efetuarem essa traição.
sexta-feira, 29 de julho de 2011
quinta-feira, 28 de julho de 2011
INFORMAÇÕES SOBRE O PRÓXIMO SHOW

Foi Geraldinho Magalhães que aprontou essa: não somente fechou com o Teatro Rival o meu próximo show, como chamou o meu mestre Maurício Valladares para discotecar na festa. O que eu posso querer mais? Agoro morro feliz.
O show deve começar meia-noite, mas a casa abre às 23:30 horas.
Depois do show é balançar o esqueleto até de manhã.
Então, anotem aí: dia 06 de agosto, sábado.
Preços:
R$ 50,00 (Inteira)
R$ 30,00 (preço promocional para os 150 primeiros pagantes)
R$ 25,00 (Estudante/Idoso/Professor da rede municipal)
R$ 20,00 (lista amiga)
Para a lista amiga, mande um email com os nomes para: rivalmaistarde@gmail.com
quarta-feira, 27 de julho de 2011
RECADO SECRETO
O jogo entre Flamengo e Santos, que ocorreu nesta quarta-feira, teve todos os ingredientes de um Acontecimento. Enquanto tal, transcendeu a categoria de uma simples partida de futebol. Foi uma disputa para ser lida mais do que torcida. Porque vem carregada de tantos elementos simbólicos, que chega a ter o mesmo status de uma tese filosófica. Certamente o fato de não torcer pra nenhuma das duas equipes, facilita a minha leitura. Espero pelo menos.
Primeiramente foi um jogo pleno. Foi o que uma partida de futebol busca ser e não é. Cheia de alternativas, gols, ataque, defesa. Atingiu-se a essência do futebol, o que é um fato raro hoje em dia. Daí o seu status de Acontecimento.
Fora isso, incidiu sobre o jogo uma questão que vem sendo colocada insistentemente, após o desastre da Copa América, e que vem a ser justamente sobre o futuro do futebol brasileiro. Querer responsabilizar o desempenho pífio de nossa seleção a uma falta de sorte na cobrança de pênaltis, é o mesmo que acreditar em Papai Noel. Aliás, foi algo tão excepcional na história do futebol, que seria demais creditar o nulo aproveitamento nas cobranças de pênaltis a um simples caso de azar. Mas o jogo entre Flamengo e Santos talvez ajude a deslindar esse fato, até porque Elano voltou a perder o pênalti que cobrou.
Quando ele fez a cobrança do pênalti contra o Paraguai, ele isolou a bola. Foi tão mal batido, que creditei o erro a fatores psicológicos. E me veio o pensamento de que nossos jogadores precisam de psicólogo. O jogo contra a Holanda na última copa do mundo vinha como exemplo: o fato de não esboçarmos nenhuma reação diante do placar adverso.
Mas a cobrança de Elano contra o Flamengo, acena numa outra direção. É como se iluminasse não somente as cobranças erradas no jogo contra o Paraguai, mas também a própria falta de reação contra a Holanda na última copa do mundo. E a atitude do goleiro rubro-negro, após a defesa, me serve de apoio. Acredito mesmo que a sua embaixadinha após a defesa é de tal maneira simbólica, que poderia defini-la como o gesto-síntese dessa partida tão emblemática. Aquele gesto menoscaba quem tentou menoscabar. É como uma cópia negativa do que foi a cobrança: não foi uma mera displicência, mas alguém que faz pouco caso e procura mostrar isso para humilhar. É completamente diferente de um jogador que faz um drible desconcertante e sem utilidade: uma molecagem, contra a qual já presenciamos reações exacerbadas. Quem reage se sente humilhado. Mas essas jogadas pouco interferem no resultado, são totalmente isoladas e sabemos mesmo que apesar de bonitas, são inofensivas. Em relação ao pênalti, não: é decisiva, interfere no resultado e, dependendo como é batido, humilha. É típico da soberba. A embaixada do goleiro rubro-negro é a reação. E o que terá sido esse jogo senão a reação rubro-negra?
II
Depois da era Dunga, veio o período da “inquisição”. E naturalmente, com o apoio da nossa imprensa. Neimar, Ganso, Robinho, Pato, e, Lucas, foram promovidos à condição de estrelas. E o grande modelo foi o futebol alemão, que apesar de não levarem a taça, teriam promovido uma renovação digna de nota. Quase que Muricy foi o técnico dessa nova fase. Aliás, foi ele o primeiro convidado, o que torna a partida entre Flamengo e Santos mais emblemática ainda. Fez-se um silêncio tumular em relação a nossos antigos jogadores e pouquíssimos foram reaproveitados na seleção.
Começou-se do zero o novo trabalho da seleção, agora com Mano Menezes. E pode-se mesmo tentar justificar o tropeço na Copa América pelo início de um trabalho. A questão é que existem tropeços e tropeços. O tropeço argentino não foi o tropeço brasileiro. Os argentinos enfrentaram uruguaios, considerados hoje primeira força no futebol sul-americano. Fora isso, após sua eliminação nos pênaltis, foram aplaudidos ao final. Já o tropeço brasileiro chega às raias da vergonha: saíram de campo cabisbaixos, após terem enfrentado um time que só se defendia e que não foi capaz de ganhar uma só partida no torneio.
Elano, Robinho, e, principalmente, Neimar e Ganso, são a expressão da renovação no futebol brasileiro, e santistas até debaixo dágua. Com exceção de Robinho, estavam presentes no jogo contra o Flamengo, assim como Muricy, que abandonou o Flu criticando a estrutura do clube (acusou os ratos que infestavam as Laranjeiras e voltou ao "Primeiro Mundo"). Em poucos minutos, chegou aos 3X0 contra o Fla, e tudo fazia crer que o jogo havia sido liquidado. Cheguei a viver uma experiência parecida quando criança. Fui ao Maracanã com meu pai ver o Santos de Pelé jogar contra o Flamengo e, em poucos minutos, o mesmo resultado (com a diferença de que o placar foi mantido até o final e o time santista era composto por jogadores tarimbados).
Mas a euforia do novo deu lugar à frustração, assim como na Copa América. E mostrou que o futuro não pode ser construído sem o passado. A soberba da juventude pode dar com os burros n’água. Foi isso que Ronaldinho, elegantemente, falou para os jornalistas e para Mano Menezes. Foi esse o seu recado secreto.
Primeiramente foi um jogo pleno. Foi o que uma partida de futebol busca ser e não é. Cheia de alternativas, gols, ataque, defesa. Atingiu-se a essência do futebol, o que é um fato raro hoje em dia. Daí o seu status de Acontecimento.
Fora isso, incidiu sobre o jogo uma questão que vem sendo colocada insistentemente, após o desastre da Copa América, e que vem a ser justamente sobre o futuro do futebol brasileiro. Querer responsabilizar o desempenho pífio de nossa seleção a uma falta de sorte na cobrança de pênaltis, é o mesmo que acreditar em Papai Noel. Aliás, foi algo tão excepcional na história do futebol, que seria demais creditar o nulo aproveitamento nas cobranças de pênaltis a um simples caso de azar. Mas o jogo entre Flamengo e Santos talvez ajude a deslindar esse fato, até porque Elano voltou a perder o pênalti que cobrou.
Quando ele fez a cobrança do pênalti contra o Paraguai, ele isolou a bola. Foi tão mal batido, que creditei o erro a fatores psicológicos. E me veio o pensamento de que nossos jogadores precisam de psicólogo. O jogo contra a Holanda na última copa do mundo vinha como exemplo: o fato de não esboçarmos nenhuma reação diante do placar adverso.
Mas a cobrança de Elano contra o Flamengo, acena numa outra direção. É como se iluminasse não somente as cobranças erradas no jogo contra o Paraguai, mas também a própria falta de reação contra a Holanda na última copa do mundo. E a atitude do goleiro rubro-negro, após a defesa, me serve de apoio. Acredito mesmo que a sua embaixadinha após a defesa é de tal maneira simbólica, que poderia defini-la como o gesto-síntese dessa partida tão emblemática. Aquele gesto menoscaba quem tentou menoscabar. É como uma cópia negativa do que foi a cobrança: não foi uma mera displicência, mas alguém que faz pouco caso e procura mostrar isso para humilhar. É completamente diferente de um jogador que faz um drible desconcertante e sem utilidade: uma molecagem, contra a qual já presenciamos reações exacerbadas. Quem reage se sente humilhado. Mas essas jogadas pouco interferem no resultado, são totalmente isoladas e sabemos mesmo que apesar de bonitas, são inofensivas. Em relação ao pênalti, não: é decisiva, interfere no resultado e, dependendo como é batido, humilha. É típico da soberba. A embaixada do goleiro rubro-negro é a reação. E o que terá sido esse jogo senão a reação rubro-negra?
II
Depois da era Dunga, veio o período da “inquisição”. E naturalmente, com o apoio da nossa imprensa. Neimar, Ganso, Robinho, Pato, e, Lucas, foram promovidos à condição de estrelas. E o grande modelo foi o futebol alemão, que apesar de não levarem a taça, teriam promovido uma renovação digna de nota. Quase que Muricy foi o técnico dessa nova fase. Aliás, foi ele o primeiro convidado, o que torna a partida entre Flamengo e Santos mais emblemática ainda. Fez-se um silêncio tumular em relação a nossos antigos jogadores e pouquíssimos foram reaproveitados na seleção.
Começou-se do zero o novo trabalho da seleção, agora com Mano Menezes. E pode-se mesmo tentar justificar o tropeço na Copa América pelo início de um trabalho. A questão é que existem tropeços e tropeços. O tropeço argentino não foi o tropeço brasileiro. Os argentinos enfrentaram uruguaios, considerados hoje primeira força no futebol sul-americano. Fora isso, após sua eliminação nos pênaltis, foram aplaudidos ao final. Já o tropeço brasileiro chega às raias da vergonha: saíram de campo cabisbaixos, após terem enfrentado um time que só se defendia e que não foi capaz de ganhar uma só partida no torneio.
Elano, Robinho, e, principalmente, Neimar e Ganso, são a expressão da renovação no futebol brasileiro, e santistas até debaixo dágua. Com exceção de Robinho, estavam presentes no jogo contra o Flamengo, assim como Muricy, que abandonou o Flu criticando a estrutura do clube (acusou os ratos que infestavam as Laranjeiras e voltou ao "Primeiro Mundo"). Em poucos minutos, chegou aos 3X0 contra o Fla, e tudo fazia crer que o jogo havia sido liquidado. Cheguei a viver uma experiência parecida quando criança. Fui ao Maracanã com meu pai ver o Santos de Pelé jogar contra o Flamengo e, em poucos minutos, o mesmo resultado (com a diferença de que o placar foi mantido até o final e o time santista era composto por jogadores tarimbados).
Mas a euforia do novo deu lugar à frustração, assim como na Copa América. E mostrou que o futuro não pode ser construído sem o passado. A soberba da juventude pode dar com os burros n’água. Foi isso que Ronaldinho, elegantemente, falou para os jornalistas e para Mano Menezes. Foi esse o seu recado secreto.
MAURÍCIO PEREIRA
Ainda sob o influxo do Nego Dito, fiquei satisfeito de ter encontrado, nos créditos do filme, o nome de Maurício Pereira.
A gente pouco se encontra porque ele está em São Paulo e eu no Rio.
De vez em quando, escuto a sua voz inconfundível numa propaganda de TV.
Aqui mesmo nest blog, cheguei a escrever um texto sobre OS MULHERES NEGRAS em 2008: http://godardcity.blogspot.com/2008/09/o-mulheres-negras.html#links
Vez por outra, traçamos um plano de um show em conjunto.
Um dia isso vai acontecer.
Mas por enquanto, eu mato a saudade com esse vídeo, que faz parte do meu dvd gravado no Centro Cultural São Paulo.
A gente pouco se encontra porque ele está em São Paulo e eu no Rio.
De vez em quando, escuto a sua voz inconfundível numa propaganda de TV.
Aqui mesmo nest blog, cheguei a escrever um texto sobre OS MULHERES NEGRAS em 2008: http://godardcity.blogspot.com/2008/09/o-mulheres-negras.html#links
Vez por outra, traçamos um plano de um show em conjunto.
Um dia isso vai acontecer.
Mas por enquanto, eu mato a saudade com esse vídeo, que faz parte do meu dvd gravado no Centro Cultural São Paulo.
domingo, 24 de julho de 2011
ITAMAR ASSUMPÇÃO

Depois de derramar baldes de lágrimas com o filme “Daquele Instante em Diante”, dirigido por Rogério Velloso, resolvi voltar aos meus textos sobre música. E nada mais oportuno do que falar sobre Itamar Assumpção.
Cada um guarda em si as marcas do tempo. Conforme a geração à qual pertençamos, determinados fatos históricos terão maior relevância que outros e ficaremos impregnados por eles a vida inteira. Se o artista transforma isso em arte e produz um estilo, ele carregará para o resto da vida essa marca do tempo. Ele passa a ser testemunha da história. Com o passar dos anos, outros acontecimentos virão, mas sejam quais forem, não vão se comparar àqueles que serviram para forjar o estilo.
Fixar-se ao estilo é, portanto, afirmar a singularidade, objetivo de todo artista.
A questão do contorcionismo que levantei em alguns posts anteriores, analisa a estranha atitude de quem abandona o estilo para permanecer conectado a novos acontecimentos ou estilos, tal qual uma “metamorfose ambulante”.
No que tange à “forma de conteúdo”, é até possível a “metamorfose ambulante”, mas quanto à “forma de expressão”, esse fenômeno é impossível. Buscamos é uma forma singular com que possamos dizer as coisas. E isso é raro. Uma vez conquistado, é para sempre. E tem a ver com determinado momento de nossa existência.
Alguém vai dizer que João Gilberto se repete, ou Jorge Benjor, ou Jorge Mautner, ou Tom Zé? Para quem entende isso como repetição, eu diria então que esse é o sentido secreto do que conhecemos por arte.
E todo esse preâmbulo serve apenas para justificar o meu balde de lágrimas. Para quem, como eu, passou a fazer música por volta dos anos 80, a vanguarda paulistana assume uma importância desmedida, da mesma forma que a ditadura militar, se ainda sobrevivia naqueles idos, não era mais nenhum “bicho de 7 cabeças”. A questão passava a ser mais cultural que política.
II
O primeiro ciclo de nossa maioridade começa em João Gilberto, seu fundador (essa obsessão por construir histórias me enlouquece).
É o ciclo do violão, o ciclo da canção propriamente dita, ciclo de ouro da música popular brasileira. É a fundação da nossa maioridade (não quero chegar até Cartola, Nelson Cavaquinho, Sinhô, Ataulfo Alves... porque esses fazem parte da fase mítica, solo comum de todos nós). Mas o primeiro ciclo está bem próximo do mito. Começa na bossa-nova, chega ao tropicalismo, e se perpetua por toda década de 70 no formato FM. Nunca se ganhou tanto dinheiro. A indústria se enriqueceu, os artistas escolhidos se enriqueceram, e foram criadas convenções e regras que passam a regularizar o território fechado da MPB.
E quem não era contemplado por essa indústria pujante? Como proceder? Os malditos, tais como Jorge Mautner, Luís Melodia, Jards Macalé, Sérgio Sampaio, eram fenômenos solitários, porque malgrado a revolta, estavam inseridos dentro da cultura da grande indústria. Salvo engano, todos eles tiveram discos gravados por multinacionais. Há uma diferença que chegou a ser esvaecida, entre esses malditos e a vanguarda paulistana. Nesse sentido, “Itamar não é cover de Melodia, nem Melodia é cover de Itamar”. E aqui novamente prevalece a diferença de gerações: os malditos, como se convencionou chamá-los, são “frutos podres” da indústria, enquanto que a Lira Paulistana vivia uma outra perspectiva histórica: como produzir seus próprios discos, como criar uma distribuição específica, como produzir um mercado paralelo?
Naturalmente, isso vai se refletir na própria música. Sob essa perspectiva, Jards Macalé, ainda que produza algo verdadeiramente singular, está ligado ao primeiro ciclo, e não é de estranhar a influência de João Gilberto em seu trabalho. O violão, instrumento síntese desse primeiro ciclo, chama para o recolhimento, para o eu-lírico, para a meditação (nome de um dos discos de João Gilberto). A voz solitária prepondera sobre os demais instrumentos; a consonância, apesar da bossa-nova, dá o tom; e a harmonia é rica. É o mundo luxuoso da MPB e seu acervo poético.
III
O segundo ciclo é a ruptura. E a sua fundação está na Lira Paulistana, ainda que possamos identificar Tom Zé como seu patrono (nesse sentido, entende-se sua situação incômoda entre Caetano e Gil, que viriam a se constituir tropicalistas oficiais – sobre essa questão, escrevi um post neste blog há algum tempo atrás: http://godardcity.blogspot.com/2007/11/histria-viva-do-tropicalismo.html#links).
A questão toda é como se dá essa ruptura. Porque diante do eu-lírico, concentrado, meditativo, fechado em si-mesmo, tal qual um círculo, a ruptura pode ser feita de duas maneiras: ou negando esse “eu” e não botando nada no lugar (seria propriamente o terceiro ciclo de nossa música, onde prepondera o niilismo, a linha contínua, e o “Homem” definitivamente superado); ou, agregando ao eu o outro (segundo ciclo de nossa maioridade) – já essa ruptura é agregadora, produz conflito e torna a música mais complexa. A questão é que o segundo ciclo tem dois momentos: o primeiro é revolucionário, e o segundo, restaurador: à vanguarda paulistana, se sucede o Rock-Brasil, cujo marco inicial, a Blitz, é a caricatura mercadológica do que foi Arrigo e a Banda Sabor de Veneno. Daí porque entre a nossa MPB e o rock brasileiro, encontramos mais vínculos que possa supor nossa vã imaginação.
Mas o primeiro momento do segundo ciclo é o que vai nos interessar por ora.
IV
A Vanguarda Paulistana, agregadora como foi, torna complexa a música. Passa a ser teatro também, e o violão, que é intimista e convida ao recolhimento, deixa de ser estrela. Mas não desaparece porque a lógica dessa vanguarda não é de negação, no máximo, de conflito. Agrega o outro, o que não acontece no primeiro ciclo, sempre excludente. A figura do triângulo isósceles é a que melhor expressa seu movimento: num dos vértices que compõe a base, está o experimentalismo de Arrigo Barnabé, sem o qual essa vanguarda não romperia com o passado. Mas no outro vértice, diametralmente oposto, está Luiz Tatit e o grupo Rumo (aqui, essa vanguarda se relaciona com o passado – o violão, assim como a canção, perpetuam sua influência).
Fossem os dois a constituir o movimento, ele não seria o que foi. Este texto talvez nem seria esboçado: provar que a vanguarda paulistana teve um corpo e se manteve como tal por causa de Itamar Assumpção. Ele é o vértice do triângulo. Fosse essa vanguarda depender única e exclusivamente de Arrigo Barnabé, teria soçobrado e ficaria esquecida, tão experimentalista que foi quanto desagregador. E fosse depender só de Luiz Tatit, não teria o vigor nem a prepotência do novo. Itamar dramatiza essa relação com o outro. Não será somente uma relação de conflito, também será de harmonia, e, finalmente, de entrega. Acompanhar essa passagem em sua obra é deslindar o que foi a vanguarda paulistana em suas entranhas.
V
O “Nego Dito” é a primeira máscara com a qual Itamar se apresenta. E nunca a música brasileira foi tão pródiga em produzir personagens. Não esqueçamos do “Clara Crocodilo” nem do “Gigante Negão” em Arrigo. Isso remete à ficção autobiográfica em Machado de Assis: o narrador não é o autor, assim como aquele não é o protagonista, que por sua vez, na primeira fase, composta por Beleléu, Às Próprias Custas e Sampa Midnight, é o marginal número um. Mas a própria técnica de gravação, com o vocal dobrado, característico de sua estética, nos leva a desconfiar de uma duplicidade que possa ser do narrador e do protagonista. Outras vezes, são três ramais diferentes para registrar uma só voz (autor, narrador e protagonista?). Se pensarmos que existe ainda o coral, se subdividindo também na voz solo e nas demais vozes do grupo, chega-se à conclusão de que a voz solitária, tão presente na MPB, sofre um processo de multiplicação: agora são várias ao mesmo tempo e não são uníssonas; ora, é uma das vozes de Itamar que faz um comentário à sua outra voz, ora é Itamar que entra em confronto com o coral.
Seguindo essa lógica, a própria música com suas paradas bruscas, seus compassos quebrados, seguidos de silêncio, é o retrato de uma confrontação, nada linear. O susto é inevitável. A quebra rítmica, próprio de sua levada no baixo, produz uma dinâmica cheia de rupturas e saltos.
Não é à toa que no seu primeiro disco, o arranjo ficou por conta dele e do baterista Paulo Barnabé, que problematizam em sua música o ritmo. Vale lembrar também, dentro dessa estética do susto, o arranjo de Itamar para a música “Noite de Terror”, de Getúlio Cortes, em seu segundo disco. Certamente, não é recomendável a cardíacos.
Mas se em Beleléu existe um esmero no seu processo de gravação, tornando-se um dos discos mais importantes de sua discografia, e se “às Próprias Custas”, seu único disco ao vivo, sublinha a importância do teatro em seu trabalho, “Sampa Midnight” fornece a síntese dos discos anteriores, momento maior dessa primeira etapa. Sob o arranjo dele e de Paulinho Lepetit, que vem a se tornar sua sombra, esse disco alia grandes composições, tais como “Sampa Midnight”, “Prezadíssimos Ouvintes”, “Vamos Nessa”, “Totalmente à Revelia”, “Chavão Abre Porta Grande”, e “E o Quico”. Tem-se a sensação de que não são canções fechadas. A influência de Miles Davis, com longas improvisações, dão o tom dessa primeira fase, a mais desconstrutivista de sua carreira.
Já o disco “Intercontinental” vem a ser um problema porque funciona como um conector, servindo como elemento de passagem para um outro período de sua carreira.
A mixagem da bateria que teve Gigante Brasil nas baquetas, é um exemplo. Fosse porque na época vinha a ser o padrão de gravação (foi o seu único disco por uma grande gravadora), o fato é que diluiu o susto. O naipe de sopros, derivado da ex banda “Metalurgia”, Bocato (trombone), Lino Simão (sax e flauta), Claudinho Farias, e, Juninho (trumpete), deram um ar de familiaridade ao estranhamento de Itamar. E algumas músicas, tais como “Adeus Pantanal”, “Oferenda”, “Maremoto”, “Homem-Mulher”, Zé Pilintra”, seja nos arranjos, seja na própria composição, estão longe de sua linguagem inicial.
Coincidência ou não, marcou a ruptura com sua banda, porque no disco seguinte, o “Isca de Polícia” já não estava mais presente.
Como um elemento de transição, vamos encontrar também músicas que representam a sua pesquisa de linguagem, tal como encontramos nos três discos anteriores – é o caso de “Parece que foi Ontem”.
Mas a última música do disco, “Espírito que canta”, ainda que em sua roupagem pouco lembre a linguagem revolucionária de Itamar, vai, no entanto, apresentar em sua composição uma estrutura triádica que ilustra o conjunto de sua obra. É que o “eu” nunca está só: existe uma superpopulação de espíritos que multiplica as vozes. Num estúdio de gravação serão necessários vários canais, não só para captar a voz de Itamar, quanto para captar o coro. Nessa canção, por exemplo, existe a voz de cada espírito, a voz do narrador, e um trecho da música “lava roupa todo dia” de Luís Melodia.
No eixo horizontal dessa canção, estão: o eu, os espíritos presentes sempre em dois, e o espírito do personagem. Nos dois primeiros andares, o personagem perde seu espírito, respectivamente, o “espírito da coisa” e seu “estado de espírito”. Mas no último andar, ele reencontra seu “espírito crítico” (a custa de não cantar como os outros cantores).
Existe, portanto, três níveis pelos quais o personagem passa. E nesse transcurso, após duas perdas sucessivas, ele efetua um ganho (seu espírito crítico).
É a melhor forma de fechar o primeiro ciclo de Itamar Assumpção, onde predomina o desafio do novo e, consequentemente, a crítica à MPB. Vale aqui lembrar a música “Z da questão” do disco “Sampa Midnight”: “eu não sou Romeu, Ulysses, nem Mágico de Oz... vivo reclamando de todo mundo”. Não há identificação. Tudo aqui é motivo para afirmar sua singularidade.
VI
Em “Bicho de 7 Cabeças”, que sai em três volumes, tendo o primeiro faturado o “Sétimo Prêmio Sharp de Música”, como melhor disco de pop-rock, começa uma nova fase: a da canção propriamente dita. E ninguém entende melhor do que Itamar a sua fórmula: idéia, letra e melodia. O violão passa a ditar as regras. Cria ele próprio uma banda – Orquídeas do Brasil -, só de mulheres, e passa a ter o controle absoluto dos arranjos. Ao mesmo tempo, chama Rita Lee para participar de uma faixa – “Venha até São Paulo”, e chama Tom Zé para participar de outra – “É Tanta Água”.
Tudo indica que havia uma camisa de força nos primeiros discos. Ao mesmo tempo, não podemos esquecer que, ainda na primeira fase, Itamar já dizia em alto e bom som: “agora eu quero cantar na televisão” (Prezadíssimos Ouvintes).
“Bicho de 7 Cabeças” é um belo painel de suas canções: ora, em miniatura, parecendo vinhetas; ora, em letras maiores, mas nunca suficientemente grandes que não se repetissem duas ou três vezes. Se na primeira fase, Arrigo Barnabé é seu alter-ego, na segunda, é Paulo Leminski, cuja trajetória, já analisada aqui neste blog - http://godardcity.blogspot.com/2007/07/por-que-paulo-leminski_28.html#links
é muito parecida com a de Itamar: “Caprixos e Relaxos”, e, “Distraídos Venceremos” são as contrafaces do “Beleléu" e do “Pretobrás”.
“Bicho de 7 Cabeças” foi a sua grande cartada no sentido de se tornar mais popular. As canções assumem diferentes formas, chegando até às raias do sertanejo. Mas se subdividem em dois grandes grupos: as que são movidas por idéias; e as que são curtas e sintéticas como haikais. No primeiro grupo, são exemplos: “Custa nada sonhar” (vol.1), “Sonhei que viajava com você” (vol.2), e, “Parece que bebe” (vol.3); no segundo grupo, “se a obra é a soma das perdas” (vol 1).
Três anos mais tarde, em 1996, regrava Ataulfo Alves, e é novamente premiado. Desta vez como melhor disco do ano pela Associação Paulista dos Críticos de Arte. O que chama atenção, além do retorno de sua antiga banda, é o tributo que faz ao passado, sendo que as regravações não chegam a transfigurar o original. Certamente é o disco mais elegante de Itamar, a léguas de distância do tempo em que suas regravações eram verdadeiras recriações. Nesse sentido, basta comparar com o disco “Às Próprias Custas”, onde músicas como a de Adoniran Barbosa, “Vide Verso meu Endereço”, são assassinadas por Itamar. A maioria das que constam do disco sobre Ataulfo, tiveram arranjo da banda “Isca de Polícia”.
VII
Finalmente, chegamos em Pretobrás, 18 anos depois do Beleléu. E com um estranho subtítulo: “por que eu não pensei nisso antes?”. Como se algo inevitável houvesse acontecido e se lutasse contra o tempo. Pretobrás, diferentemente de Beleléu, afirma que “cantar estancou meu sangue” e que “compondo sobrevivi”. Desta vez, se identifica com vários personagens históricos: Cruz e Souza, Leminski, Zumbi. E também se identifica com um personagem fictício: Gigante Negão (Queiram ou não Queiram). O último disco da trilogia, que compõe a segunda fase, é mais misturado ainda. Porque além dos arranjos do próprio Itamar, tem também arranjos com a turma do Isca de Polícia, além de Lenny Gordon (olho no Olho) e Arrigo Barnabé (Deus te Pretege). Zélia Duncan canta “Dor Elegante” e Itamar anuncia que é um poema de Paulo Leminski (durante a gravação, faz pequenas intervenções); se pensarmos que a música é sua, além dele encarnar o poema como se fosse seu, podemos então entender a essência misteriosa dessa segunda fase de Itamar, onde as pessoas passam a ter sintonia e tudo é circulável.
Permanece o grupo das canções movidas por idéias (Reengenharia) e o grupo daquelas, cuja miniatura passa a ser uma de suas marcas definitivas (Apaixonite Aguda, e, Queiram ou não Queiram).
Mas a canção que fecha o disco (é curioso como que para um poeta sintético, saber terminar é importante), “Vida de Artista” vai tratar de uma multiplicidade explícita, levando ao máximo de potência uma lógica que é da agregação (ao exercer várias atividades, Itamar se apresenta como múltiplo). Como se tudo já tivesse terminado e o mais importante fosse o seu legado de abundância. “Por que eu não pensei nisso antes?” aponta o sentido secreto da Vanguarda Paulistana: o da multiplicidade e do quanto foi preciso caminhar para chegar até ela.
VIII
Quando sai o disco com Naná Vasconcelos, é póstumo. Mas foi motivo de briga durante a sua feitura – o que muitos justificam pelo estado de saúde de Itamar. Os produtores Paulinho Lepetit e Zeca Baleiro queriam um disco apenas com os dois: violão e percussão. Já Itamar queria acrescentar outros instrumentos, gerando um impasse. Mas esse disco, tal como Intercontinental, é mais um elemento conector e, portanto, carrega em si uma tensão própria dos objetos de fronteira.
Itamar, zeloso como era de suas coisas, e centralizador, não pode chegar ao final da empreitada.
E o disco não saiu como os demais, sob sua supervisão. No entanto, abriu caminho para uma nova fase, a terceira e última, a da entrega, da qual participam “Pretobras II” e “Pretobras III”.
IX
É curioso como Itamar mantém um paralelismo com Jards Macalé. Ambos produziram discos homenageando compositores do passado – “Os Quatro Batutas” e “Pra Sempre Agora”. E ambos fizeram discos com Naná Vasconcelos. Todavia, esse paralelismo mantém suas diferenças: a releitura de Macalé mantém uma fidelidade ao original, seja nos arranjos, seja no próprio canto – a questão em Macalé é penetrar na subjetividade do homenageado, é mais uma questão de sonda (estamos nos referindo aqui ao primeiro ciclo de nossa maioridade, onde a subjetividade é um poço profundo); já em Itamar, existe a ironia e, consequentemente, o distanciamento – os arranjos seguem uma linha mais contemporânea, além de vermos Itamar e Ataulfo nitidamente diferenciados (é o segundo ciclo de nossa música, sofrendo um processo de duplicação que tem mais a ver com a superfície, ainda que o poço escuro continue a projetar suas tenebrosas sombras).
Mas em relação ao disco com Naná Vasconcelos, exceção feita a “Leonor”, que pega na veia, as demais músicas ficam a dever. A voz de Itamar expressa já sua fraqueza, e, nitidamente, é um projeto abortado. O que vale é justamente o seu caráter póstumo: não é mais um disco de Itamar, não é ele que está ali a bater o martelo, como em seus discos anteriores. E isso abre uma nova fase, que vai ser implementada por Pretobras II e III.
O “Pretobras II” foi produzido por Beto Villares, que não chegou a fazer parte da história de Itamar. Mas justamente isso é que dá ao disco o caráter desta terceira fase: alguém estranho ao círculo, receberá o legado. Os arranjos são constituídos por bases eletrônicas e há a presença de alguns convidados como seu Jorge, B-Negão, Arnaldo Antunes e Elza Soares. Agora sim a sua história termina, porque foi constituída desde o seu início com o “outro”. E termina entre aspas: essa abertura para o outro, essa entrega, não permite que seja confinado num gueto.
E as duas canções que mais se destacam, curiosamente, fazem parte dos dois sub-grupos de canções, a que me referia anteriormente: o grupo das miniaturas (Procurei), herméticas e líricas ao mesmo tempo; e o grupo das canções-idéias (Más Línguas), sem esquecer que ambos os sub-grupos são perpassados por jogos de linguagem, que dão à poética de Itamar um traço de superfície, em contraste com a profundidade subjetiva do primeiro ciclo de nossa música.
Pretobras III termina a caixa preta. E justamente com quem tudo começou: a banda Isca de Polícia. Paulinho Lepetit, a sombra de Itamar, foi quem produziu. Bocato, outro remanescente dos idos de Sampa Midnight, chegando inclusive a produzir belos arranjos na trajetória de Itamar, também está presente. Entre outros convidados, Arrigo Barnabé, Zélia Duncan, Edgard Scandurra, e, Alzira Espíndola.
Eu chego a ouvir novamente o baixo, e me lembro dos primeiros tempos. “Persigo São Paulo”, com participação de Arrigo, fazendo parte das canções miniaturas (herméticas e líricas), e, “Pirex”, fazendo parte das canções-idéias (originalíssimas e com jogo de linguagem), se destacam. Assim como “Anteontem”, onde o anjo da morte, diz a sua vítima que ela vai finalmente assumir o seu lado pop.
Mas, certamente, o que mais se destaca, nesta terceira fase, vai ser revelado no documentário sobre Itamar por Luiz Tatit. Em fase terminal de sua doença, Itamar entrega uma letra à Luiz Tatit. Somente um cancionista pode entender a simbologia desse ato. E ninguém melhor do que Tatit para entendê-lo: ao cancionista cabe a luta entre letra e melodia; não é nem poeta nem músico; a um cancionista, entregar uma letra a outro é como passar a bola. E Tatit fez por merecer porque “Dodói” é uma das canções mais belas de nosso cancioneiro - . http://letras.terra.com.br/luiz-tatit/396544/.
Tatit, um dos ângulos da base do triângulo isósceles que perfigura a vanguarda paulistana, nunca chegou a ser mencionado nas letras de Itamar. E isso sempre me pareceu uma incógnita, já que Arrigo, o outro ângulo desse triângulo, foi para Itamar uma referência constante. Mas esse último ato, um ato de entrega por excelência, faz justiça a quem se debruçou sempre sobre a canção. Daí porque Itamar é a hipotenusa, como ele mesmo afirma na música “Variações” do disco Pretobrás III.
X – Conclusão
Se João Gilberto é o fundador do primeiro ciclo de nossa maioridade musical, Tom Zé, mesmo pertencendo aos quadros tropicalistas do primeiro ciclo, vai servir como conector, ponto de ramificação, de onde o segundo ciclo de nossa música vai se constituir. E se pensarmos que esse segundo ciclo vai ser composto por dois movimentos que, de certa forma, se antepõem – a vanguarda paulistana e o rock-Brasil -, poderemos então compreender a essência desse segundo ciclo, composto pela duplicidade. A relevância da Vanguarda Paulistana vem de que, no interior dos seus próprios quadros, já se encenava essa duplicidade, composta por Arrigo e Luiz Tatit. Coube a Itamar Assumpção encarnar essa duplicidade e dar corpo a ela.
Cumpre então compreender os pontos de ramificação porque a trajetória nunca é linear (já no primeiro disco, Beleléu, Itamar introduz um corpo estranho – Nega Música - que vai servir de conector para uma segunda fase de seu trabalho; o nó passa batido diante do conjunto das faixas, mas vai se ramificar mais tarde).
Marisa Montes, nos idos de 80, resíduo de uma MPB moribunda, é ponto de passagem para o terceiro ciclo de nossa música. Assim como Los Hermanos, no coração do segundo ciclo, também é. Neste terceiro ciclo, a subjetividade foi liquidada, assim como a duplicidade. A superfície é a sua figura por excelência. Ao círculo e ao triângulo, do primeiro e segundo ciclo respectivamente, vem se sobrepor a linha contínua do terceiro ciclo. Não existe mais subjetividade nem o “outro”. Marcelo Camelo, um de seus principais representantes, chegou mesmo a declarar no programa Sarau, de Chico Pinheiro, que eliminou a intenção em suas composições. As canções são expandidas e a linha que traçam é ilimitada. O custo é uma música simples, das mais simples de nossa história.
quinta-feira, 21 de julho de 2011
domingo, 17 de julho de 2011
quarta-feira, 13 de julho de 2011
ENCONTRO MARCADO
O diabo bate à sua porta.
Pela fresta da persiana, seu olho
perpassa o espaço de fora.
Não há ninguém.
E, no entanto, você o sente:
ele está ali, do outro lado da porta.
Você pode continuar seus afazeres
e fazer de conta que tudo permanece como antes.
Você pode ligar a televisão,
ler o jornal ou acessar a internet.
Pode, inclusive, abrir a porta e sair.
Tem uma conta que vence hoje. Esqueceu?
E logo mais, um encontro marcado.
O diabo continua a bater à sua porta.
Ele é paciente e sua vida inteira
é para ele um lapso de instante.
Skylab/julho/2011
Pela fresta da persiana, seu olho
perpassa o espaço de fora.
Não há ninguém.
E, no entanto, você o sente:
ele está ali, do outro lado da porta.
Você pode continuar seus afazeres
e fazer de conta que tudo permanece como antes.
Você pode ligar a televisão,
ler o jornal ou acessar a internet.
Pode, inclusive, abrir a porta e sair.
Tem uma conta que vence hoje. Esqueceu?
E logo mais, um encontro marcado.
O diabo continua a bater à sua porta.
Ele é paciente e sua vida inteira
é para ele um lapso de instante.
Skylab/julho/2011
domingo, 10 de julho de 2011
Rogerio Skylab no programa Boca a boca
Essa entrevista ficou muito bem editada.
E essa entrevistadora, Rosana Freire, é uma das mais bonitas e mais gostosas que já me entrevistaram.
O programa chama-se "Boca a Boca".
Cheguei a publicar um trecho dessa entrevista.
Mas agora ela está completa.
E essa entrevistadora, Rosana Freire, é uma das mais bonitas e mais gostosas que já me entrevistaram.
O programa chama-se "Boca a Boca".
Cheguei a publicar um trecho dessa entrevista.
Mas agora ela está completa.
sexta-feira, 8 de julho de 2011
DIÁRIO DE UM CURTA

Um indivíduo acha que tudo é cinema, dirige dois curtas e põe na cabeça que eu serei o protagonista do seu próximo filme. Logo eu, o ser mais recluso da face da terra.
Estou convencido de que o mundo da cultura é regido por guetos, com suas próprias leis, costumes e convenções. Entre eles, um abismo de mil japões. Por exemplo, a música independente e o cinema independente.
Pois eu me vi, de repente, introjetado no cinema independente do Rio de Janeiro.
Bem, o nome do diretor: Leonardo Esteves.
Foram três dias de agonia, isto é, de gravação.
O primeiro, me vi levado ao Fundão. E as gravações começando cedo. De início, pensei que fosse por causa do sol. A questão é que o cineasta independente que não capta recursos junto às empresas, luta contra o tempo. Porque se for película, como era o caso, o aluguel da câmera é caro. Daí que a filosofia é gravar o máximo durante o dia.
Pelo que soube, foram cinco dias de gravação, dentre os quais, três estive presente. Com um total de trinta minutos de fita para apenas doze de curta.
E o primeiro dia foi um festival de mulheres nuas. Primeira constatação: como tem garotas que gostam de tirar a roupa! Tiram por prazer e não por causa de grana. A não ser que “cinquentinha” faça falta. Mulheres lindas, mulheres gostosas. Cheguei a tocar várias punhetas pensando nelas. As que faziam “Escola de Circo” tinham o corpo de cair o queixo – algumas delas, masculinizadas, o que me dava mais tesão. Confesso: meu fraco são as masculinas.
Evidentemente que existe aquele argumento: “eu tiro a roupa porque acredito no argumento do filme”. Ou, “eu respeito o diretor”. De qualquer maneira, são argumentos frágeis.
Até porque o argumento do filme ninguém conhece muito bem, nem mesmo eu. Acho curioso quando o diretor toma um ar de seriedade e fala assim: o meu filme é sobre o cinema nacional.
Moral da estória: cheguei todo estropiado em casa. Não sabia que ator de cinema, principalmente se for independente, sofresse tanto. Você atua às cegas, fragmentadamente. O próprio diretor também o faz: reconhece que o resultado final pode ser completamente diferente de seu roteiro original. Daí porque as gravações não seguem
à risca o que se planejou: as fitas são caras e não dá pra se regravar em cima, caso o ator não tenha a atuação esperada.
II
O meu segundo dia de gravação foi na casa da irmã do diretor, a qual acumulava a função de “assistente de direção”. Duas coisas me chamaram a atenção nesse dia estafante. A primeira foi a presença de um ator chamado Reinaldo (na verdade, no filme não tinha nenhum ator, até mesmo porque, se o fosse, seria louco; lembrei-me agora de um, o único: era louco mesmo).
Mas esse indivíduo de nome Reinaldo, talvez tenha sido a pessoa mais engraçada que conheci nos últimos tempos. Ele já havia me parado no Rio Sul, tempos atrás, para perguntar quando eu voltaria ao Jô. A cena em que Leonardo Esteves, o diretor, está deitado no chão dirigindo o dito-cujo, e pede para que ele, junto aos demais, se incline com seus cento e vinte quilos, é memorável. Reinaldo reclama mas atende o pedido. Porque existe naquela figura um prazer de viver que o torna às vezes inconveniente, indiscreto e chato. Mas diante do seu prazer de viver, tudo é perdoável e intenso.
A segunda coisa que me chamou a atenção, veio de um sujeito por quem não daria nada. Até porque nem ator era, pelo menos ali, na filmagem daquele dia. Talvez fosse o assistente do assistente. É que foi necessário improvisar um cenário e esse sujeito de nome Clayton, criou um efeito espetacular: para aumentar a altura das duas kabukis, no meio das quais eu aparecia, me fez sentar no seu skate (ao movimentá-lo, dava o efeito de que eu caminhava) . Através daquela improvisação, que me fazia de tamanho reduzido entre as duas lutadoras, atingia-se a essência do cinema independente que, por causa da falta de recursos, é obrigado a se reinventar.
III
O terceiro dia de gravação foi em três locações diferentes: o Alto da Boa Vista, o Gabinete Real Português e o Ancine. Mas o que talvez tenha me chamado mais a atenção foi o diálogo entre o diretor e um dos atores, de nome Abelardo, durante o percurso até o Alto da Boa Vista. Pudesse estar de gravador para registrar a conversa. Esse diário de um curta só se completa com isso. Diário que é o meu filme, o filme de um filme. Esse ator, de nome Abelardo, que também é diretor e trabalhou na Cavídeos, estava sentado no banco de trás do veículo. Como estava mal acomodado, pediu que se sentasse à frente. E daí começou um diálogo trash e seríssimo com o diretor, última parte do meu filme, que me fez ver o dia-a-dia de um diretor de curtas independentes. Ali, pude perceber o fracasso, o complexo, as ilusões, o ressentimento, o mal-dizer, e o jogo de poder que perpassa o cinema independente nacional em suas entranhas. E do quanto a idéia de “artista” vem contraposta a de realizador. Nesse sentido, permanecer quinze anos sobre um curta, sem finalizá-lo, adquire um sentido positivo, contra a grande produtividade de um realizador, “que mais parece um lutador de judô”.
IV
O meu filme termina aí. O de Leonardo Esteves, sinceramente, não sei aonde vai terminar e desconfio de que nem ele mesmo saiba.
A essa altura, terça-feira, dia 31 de maio de 2011, 20:15 horas, tanto ele quanto o tal Abelardo, figura extremamente antipática, devem estar no Grande Prêmio do Cinema Nacional, como convidados, é claro. E eu estou aqui na biblioteca. Meu filme é o impasse do cinema independente, entre a invenção de um cara obscuro de nome Clayton, e o jogo de poder sempre broxante de seus diretores.
terça-feira, 5 de julho de 2011
VENGA

Qual a diferença entre um botequim e um café?
Essa foi a minha pergunta idiota dentro de um bar de Tapas, o VENGA, localizado na rua Dias Ferreira,113, Leblon. Eu sou o rei das perguntas idiotas, me vangloriei diante de Madame Funérea e Primo Inteligente.
Esse último começou então a discorrer sobre as diferenças entre franceses e espanhóis. Segundo ele, os cafés são tipicamente franceses enquanto que o botequim, que predomina na terra brasilis, tem um parentesco com o tapas, de origem espanhola. Nesse sentido, o nosso querido botequim poderia ter uma remota origem hispânica.
Entramos ao VENGA por acaso. Idéia de Madame Funérea que já havia lido uma matéria a respeito. Pra quem pensava, como eu, num Garcia e Rodrigues, devo admitir que o desvio foi significativo. Confesso: nunca havia adentrado a um Bar de Tapas.
A idéia é a descontração. Conversa-se muito, ri-se muito e o espaço é pouco. O conceito é que é diferente, rebateu Madame Funérea. Admito. Vivemos no reino das diferenças. Aguardei então as iguarias, certo de que, tanto para mim quanto para Kant, o gosto não é subjetivo. Diante de um manjar dos deuses, o nosso silvícola mais primitivo arregala os olhos.
A filosofia é das pequenas porções, que vem ganhando cada vez mais adeptos. Começamos com uma porção de Escalivada (pimentão, berinjela e cebola confitados com alho), e de Pan con Tomate ( pão com tomate, azeite extravirgem e flor de sal). De fato, a um iniciante, vem a sensação de que a porção é pequena e que se come pouco. Ledo engano.
Partimos então para a “Brocheta de Solomillo” (espetinho de mignon com cogumelos e molho de anchovas). Um apaixonado por cogumelos, como eu, fica sempre insatisfeito com a porção de cogumelos usada nos pratos. Mas a carne estava excelente e foi a partir daí que comecei a entender a filosofia do Tapas. A unidade de um prato tradicional é substituída pela variação.
O “Rabo de buey al Pedro Ximenez” foi o cheque-mate (rabada desfiada com purê de gergelim e redução de Pedro Ximenez). Uma pequena delícia, um primor. Sou maluco por rabo. Já o Pedro Ximenez nos informa, quanto ao aceto balsâmico, que a vida é rica de sabores. Obcecados, como eu, bastariam passar a noite com várias porções do mesmo. E eu não seria o que eu sou se não fosse a repetição obsessiva. Madame Funérea discordou de minha intenção em repetir, ainda que admitisse ser aquele o momento mais primoroso. E me apontou outras possibilidades.
Como bom explorador, continuei viagem. O “Rollito de Anchovas” (anchovas enroladas em pão de miga com emmenthal e mostarda dijon) me lembrou a culinária contemporânea, da qual a Espanha é um dos principais nomes. Já a “Chistorra” (tradicional lingüiça espanhola) foi outra diferença abrupta, sem que nos deixasse água na boca.
Mas o mais exótico ficou por conta do “Huevo Loco” (parmentier, chouriço, presunto serrano e ovo pochê). Não digo que tenha sido a estrela da noite, mas com certeza foi o mais diferente . O ato de misturar o ovo ao resto dos ingredientes, deu um toque raro.
Primo Inteligente e Madame Funérea deram ares de satisfeito, eu não. A insatisfação é o meu nome e me arrisquei com o Calamares (anéis de lula crocante ao molho romanesco). Perfeitamente dispensável, se não fosse o molho com amêndoas, tomate e pimenta.
Por fim, adentramos o campo das sobremesas, que não era grande. Tive a sensação de que a Espanha não é pródiga em doces. Mas não dispensei o “Crema Catalana”, parecido com creme brulê, não fosse o gosto de limão bem pronunciado. Primo Inteligente atacou de churros, o velho e bom churros com chocolate quente.
Todo esse imbróglio de sabores, onde a unidade clássica foi pras cucuias, acompanhado por um tinto seco, Luis Cañas, da cidade de Villabuena, deu-nos um ponto de vista diferente do mundo e isso é o que basta. Ainda que tenhamos ficado um pouco empanzinados. Mas como não ficar?
sábado, 2 de julho de 2011
JORNAL DO SKYLAB - segunda edição

foto: Solange Venturi
DESCOBERTA – EDITORIAL – QUEM É MAIS CHATO? - ATUALIDADES – SUGESTÃO PARA NOME DE BANDA – CARTA À REDAÇÃO – PENSAMENTO DO DIA
DESCOBERTA
Esse poema inédito de Machado de Assis, foi descoberto recentemente junto a seus manuscritos e pertences na Academia Brasileira de Letras. O autor da façanha, Rogério Skylab, traz à lume o que teria permanecido fora do conhecimento público, contrariando assim a certeza de que nenhuma novidade é mais possível em relação ao velho bruxo do Cosme Velho.
“Cai-me a pena das mãos.
Agora sim começam os poemas.
É justo quando não há mais que escrever
e os sonhos estão no chão despedaçados.
Começam os poemas porque não tenho mais a dizer.
Cai-me a pena das mãos,
o tempo urge
e a morte ruge.
A nenhuma estória posso recorrer.
A bem da verdade, nunca fui de contar estórias.
Cai-me a pena,
começam os poemas”
M.A (1870)
EDITORIAL
Para ser lido no espaço intermediário entre duas inspirações. Há que se pronunciar com clareza cada sílaba do poema-música, e tomando-se o cuidado de não extravasar nenhum tipo de emoção. A leitura em voz alta será feita como se fosse uma máquina. Se gaguejar, fudeu.
Dedo, língua, cu e buceta,
Dedo, buceta, língua e cu.
Dedo na língua,
Língua no dedo,
Cu na buceta
Buceta no cu.
Dedo na buceta,
Língua no cu,
Língua na buceta
Dedo no cu.
Dedo, língua, cu.
Buceta tambtém.
Buceta vezes dedos,
Noves fora, cu.
Língua, língua, língua,
Dedo no cu,
Dedo de buceta,
Língua do cu.
Dedo, língua, cu e buceta,
Dedo, buceta, língua e cu.
QUEM É MAIS CHATO?
Quem é mais chato, Eucanaã Ferraz ou Francisco Bosco?
ATUALIDADES
SE CRUZAR DE NOVO NA MINHA FRENTE, EU CHUTO
“Vivo num Pet-Shop”.
Tal foi a perplexidade de Rogério Skylab diante do estado de coisas que vinha apresentando o seu condomínio, localizado na rua da Passagem, em Botafogo. Os outros condôminos, inconformados, impetraram alvará, pedindo sua reclusão. Skylab encontra-se hoje em manicômio judicial, à espera de julgamento, marcado para o dia 8 do vindouro mês. E bateu com nossa equipe um papo descontraído. Aí vão os seus melhores momentos:
- como foi que tudo começou?
- o condomínio estava abarrotado de cachorros. Mas não foi sempre assim. Moro lá há muitos anos e no início eram poucas as casas que possuíam um animal. De uns dez anos para cá, a coisa foi mudando de figura. Chegou-se a um ponto que das sessenta casas, cinquanta e cinco possuíam um cachorro. Sem contar aquelas que tinham mais de um. Virou um inferno. Porque você não podia falar ao telefone, receber uma visita... os latidos não permitiam.
- te chamaram de “animal, sem coração”...
- Só porque dei parte à Prefeitura queixando de maus tratos. Os cães ficam confinados porque as casas são muito pequenas.
- Você chegou a afirmar que um dos moradores foi comido por um pastor belga. Pode confirmar isso?
- Basta exumar o corpo de uma antiga moradora da casa 6. Foi enterrada com 24 dentadas.
- E depois?
- Foi esse animal que liderou a revolta. Era o mais forte, o mais inteligente. Seus donos foram acuados e hoje vivem sob o domínio do medo.
- Você tentou fugir do lugar?
- Sim.
- Quando?
- Quando percebi que a situação havia ficado insustentável. Os moradores passaram a me injuriar porque fui à televisão e aos jornais. Foi quando fiz a afirmação: “Vivo num Pet Shop”.
- E como veio parar no manicômio?
- Porque puseram a questionar minha integridade mental. Dei um chute no focinho de um pudle, o animal mais horripilante da face da terra. Eu tinha 30 a minha volta.
- Qual é a finalidade de um pudle?
- Levar bordoada.
- Espera sair ? Quais são suas expectativas para o futuro?
- Tornei-me persona non grata. A Sociedade Protetora dos Animais entrou com uma representação exigindo minha reclusão.
- O que você tem a dizer sobre isso? Se arrepende de alguma coisa?
(nesse momento, fez uma pausa, olhou pro vazio e depois de algum tempo, respondeu:)
- Se cruzar de novo na minha frente, eu chuto.
Foram suas últimas palavras. O tempo tinha acabado e três seguranças levaram-no de volta para o interior das dependências. Parecia tranqüilo, conformado. Fiquei com suas últimas palavras reverberando, enquanto seu vulto se afastava junto aos demais.
SUGESTÃO PARA NOME DE BANDA
“KAFKA AND THE MOTHERS OF INVENTION”
CARTA À REDAÇÃO
Eu a conheci no Les Girls, boate localizada na rua Raul Pompéia, Copacabana, Rio de Janeiro, Era comum ir lá aos fins de semana. Uma amiga, Nina Becker, que à época fazia Faculdade de Direito, foi quem me apresentou o lugar. Nessa época, eu tinha dezenove anos e muitas dúvidas. Minhas relações amorosas eram inconstantes e frágeis. Dificilmente conseguia manter um relacionamento por muito tempo.
Nina Becker era assumida em sua opção sexual: gls. Linda, sabia se sair muito bem de situações constrangedoras com homens. Para ela, não havia tempo ruim, a vida era para ser aproveitada e, ainda que fôssemos carne e unha, nossa relação pautava pela amizade.
Um dia me levou até o reduto.
Era como se algo, que pressentia, se descortinasse. A vida readquiria o frescor. Eu voltava a ser o que sempre fôra: o cheiro das coisas, o bom humor, uma certa alegria descontente. Parecia louca. E não havia ninguém em especial: eram todas que me olhavam, que resvalavam seus corpos no meu... Lembro-me agora de um livro de Proust: À Sombra das Raparigas em Flor (o narrador não conseguia individualizar Albertine – ela era todas).
Mas o romance vem, tarda mas vem. Ainda que seja necessário um prólogo, através da qual, beijamos uma, tocamos outra, e não somos ninguém. Um prólogo não tão longo assim, mas o suficiente para nos acostumarmos e dizermos: como é bom!
A minha Albertine um dia se individualizou e tinha braços, pernas, sobretudo vontade. Tentei fugir porque o novo dá medo. E uma pergunta recorrente voltou a ressoar: quem sou eu?
Não levei muito tempo a entender o sentido enigmático daquela terrível pergunta: eu queria ser aquela coisa nova e a outra coisa antiga.
Um dia em seu colo, me fez entender que podia continuar sendo frágil e ter um ombro com o qual contar.
Sou sua mulherzinha até hoje. Passamos a viver juntas sob o mesmo teto, até que, dois anos depois, me veio uma estranha gravidez. Escrevo-lhe essa carta, atônita e perplexa. Minha companheira chegou a pensar em traição, mas a fiz ver que em todo tempo que permanecemos juntas, lhe fui fiel. Sem confiança nada se sustém.
A questão é que minha gravidez é anti-científica: fui engravidada por ela e estou no sétimo mês.
Muitos acham que é fecundação in vitro. Não é.
Fiz ontem teste de ressonância: é uma menina linda, a quem já demos inclusive o nome. Vai se chamar Maria.
Mas isso nos amedronta: a ela, que vai ser papai; e a mim, mamãe.
Redação
A fé remove montanhas. E estas nos são colocadas pelo senso comum que duvida até do próprio umbigo, minha futura mamãe.
A Ciência fez pouco do Espírito Santo e da concepção imaculada. Você não foge à regra: quantos não estarão agora a cair na gargalhada diante de uma verdade tão pungente? Assim é o mundo – sempre foi e será. Cabe a ti fechar os ouvidos às maledicências e curtir com seu “homem” esse momento tão especial. Eu mesma caí na armadilha que nos pregam os idiotas da objetividade, e cheguei a pensar, no primeiro momento, que sua companheira, Nina Becker, fosse um caso de transexualidade.
PENSAMENTO DO DIA
Meu pentelho tá ficando branco (a coisa tá ficando preta).
sexta-feira, 1 de julho de 2011
RESPONDENDO A UM FÃ
André Philippe me pergunta sobre a minha participação especial no show de Júpiter Maçã dia 16 de julho próximo. E acredito que muitos devem estar se perguntando que tipo de participação será.
Tudo começou quando vim a saber pelo meu produtor que o gaúcho se apresentaria um dia depois do meu show no SESC CAMPINAS. Então, tive a idéia de prolongar minha estadia em Campinas e propor uma pequena participação no show de Júpiter.
Glauber, que é tanto meu produtor quanto o de Júpiter, achou excelente a idéia e incrementou o lance.
Ontem, o gaúcho me ligou e acertamos os últimos detalhes: eu canto duas músicas com ele, acompanhado de sua banda. Uma música é de minha autoria e a outra de sua.
Assim ficou acertado e assim será.
Não conto mais. O resto vocês verão com os próprios olhos.
Aos que não forem, restará a imaginação. E um clipe que será feito para documentar o encontro.
Tudo começou quando vim a saber pelo meu produtor que o gaúcho se apresentaria um dia depois do meu show no SESC CAMPINAS. Então, tive a idéia de prolongar minha estadia em Campinas e propor uma pequena participação no show de Júpiter.
Glauber, que é tanto meu produtor quanto o de Júpiter, achou excelente a idéia e incrementou o lance.
Ontem, o gaúcho me ligou e acertamos os últimos detalhes: eu canto duas músicas com ele, acompanhado de sua banda. Uma música é de minha autoria e a outra de sua.
Assim ficou acertado e assim será.
Não conto mais. O resto vocês verão com os próprios olhos.
Aos que não forem, restará a imaginação. E um clipe que será feito para documentar o encontro.
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